Opinião
Rota desarticulada
Por meio de reportagem publicada ontem, na primeira página do Caderno B da Gazeta de Alagoas, a direção da Casa Jorge de Lima descortinou um problema que, apesar de simples e óbvio, teima em ser recorrente: a desarticulação entre cultura e turismo segue causando prejuízos a Alagoas. Respaldado por anos de dedicação à promoção cultural em Alagoas, o pintor e escritor Benedito Ramos desfiou suas reclamações e opiniões de forma clara e segura, chamando a atenção para a evidência de que a área urbana central de Maceió é cravejada por instituições importantes e aptas para a visitação pública ? quer seja de turistas, como pelos habitantes de Maceió. E a contradição é que esse roteiro ululante termina por passar desapercebido, no caso das rotas de visitas apresentadas para os turistas, em função de desencontros absolutamente desnecessários entre os entes públicos. De fato, essas colocações têm toda razão de ser, afinal o que impede de ser ofertado ao visitante um roteiro onde pontos óbvios como as centenárias igrejas (particularmente a Catedral, Rosário e Martírios, só para falar as da linha reta da Rua do Sol), o museu do Instituto Histórico, os museus Pierre Chalita (Centro e Jaraguá), a Associação Comercial, o museu Théo Brandão, a Casa Jorge de Lima, o Museu da 2ª Grande Guerra Mundial (localizado na 20ª CSM) possam ter suas visitas agendadas conjuntamente entre os segmentos turísticos e culturais? E indo mais além, o que dificulta o acesso sistemático dos estudantes (dos estabelecimentos públicos e privados) a essas mesmas instituições? Um mínimo de organização e até a instituição de uma contribuição voluntária por visitação a esses centros de saber e de história faria com que peças de grande interesse nacional fossem conhecidas por milhares de pessoas, num processo dinâmico de valorização do rico patrimônio alagoano.