Opinião
Boas-novas verdes
Apesar da paixão pelo tema fazer com que uma enxurrada de notícias e avaliações contraditórias desabem sistematicamente sobre o público, a mais recente nova sobre a Amazônia reacende a centelha da esperança nos corações dos defensores da natureza. A boa-nova divulgada, na semana passada, dá conta de que o desmatamento na região Amazônica, em dados coletados entre agosto e dezembro de 2008, teria caído em 82% se comparado a período semelhante do ano anterior. Esses alvissareiros números foram divulgados, na sexta-feira, por uma conceituada entidade não-governamental chamada Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Segundo a Imazon, teriam sido monitorados ?635 quilômetros quadrados de desmate entre os meses pesquisados, contra 3.433 quilômetros quadrados no mesmo intervalo em 2007?. Os satélites informantes teriam detectado ?61 km² de desmatamento na Amazônia Legal, área 94% menor do que a registrada em 2007. O tamanho da devastação no mês de dezembro caiu e chegou a 50 quilômetros quadrados, redução de 27% entre 2007 e 2008?. Mas, pingando um pouco de água gelada nas almas aquecidas pelo entusiasmo da notícia positiva, o relatório divulgado pelo Imazon alerta que ?no entanto, o desmatamento pode ser muito maior, porque a região fica encoberta por nuvens que dificultam o trabalho dos satélites, como reconhece a entidade. Os dados de desmatamento nesse período podem estar subestimados, pois nesses dois meses houve grande cobertura de nuvens na região, correspondendo a 68% em novembro e de 73% em dezembro. Além disso, a parte do Maranhão que compõem a Amazônia Legal não foi analisada?. Alerta feito, o momento seguinte deveria estimular ao estudo mais detalhado desses dados e a força positiva desta boa-nova reforçar a persistência nesta via.