Opinião
Trilhas de alto risco
Novos tempos, novos hábitos. A antiga e sempre positiva tendência de integração com a natureza, expressa em roteiros de lazer como piqueniques (termo em desuso), acampamentos, trilhas, banhos de rio, precisa ser, urgentemente, adaptada à realidade de insegurança pública vigente. Em matérias publicadas na Gazeta de Alagoas, tradicionais roteiros naturalistas encrustados nos antigos limites da zona urbana de Maceió, tornaram-se trilhas do perigo, nos quais são cada dia maiores os riscos de quem queira se aventurar por esses (antes) bucólicos nichos da Mata Atlântica, onde o verde abundante mescla-se com riachos de águas cristalinas, animais silvestres, etc. Era uma vez a tranquilidade oferecida por essas áreas verdejantes em torno de Maceió. Hoje, embora as águas sigam cristalinas (muitas já contaminadas por poluentes orgânicos e inorgânicos) e o verde siga entusiasmante, os perigos são abundantes. Marginais infestam essas áreas, para ali ?desovarem? suas vítimas ou dali colherem novas vítimas. O romantismo naturalista cede lugar a um tenebroso barbarismo, onde todos os tipos de violência podem ser praticados. E, verdade seja dita: é praticamente impossível a polícia cobrir todas essas áreas, por mais que se esforce em função de matas relativamente fartas, das dificuldades de acesso e da multiplicidade e distâncias entre essas ?ilhas? do ecossistema da capital alagoana. A solução mais prática seria abrir mão de um pouco da privacidade dessas iniciativas de lazer e, antes de se aventurar mato a dentro, contactar com a segurança pública, possibilitando um rastreamento simultâneo das incursões nesses nichos verdes. Infelizmente, o individualismo perde espaço neste procedimento, mas talvez seja a única forma de se preservar a vida e a saúde nas veredas e ribeiras sobreviventes da natureza maceioense.