Opinião
A irresponsabilidade mata em toda parte
Assisti uma reportagem na televisão sobre o tráfego dos caminhões em nossas estradas, que me deixou bastante perturbada e ainda mais revoltada com a irresponsabilidade dos nossos governantes no que se refere à segurança dos cidadãos brasileiros. Os motoristas transgridem, impunemente, as leis que determinam a pesagem dos veículos para que os excessos não destruam as estradas que já não são excelentes, porém, há muitas balanças que não funcionam e precisam ser revistas. Mas o mais grave é que eles tomam drogas e anabolizantes para perderem o sono e conseguirem uma equivocada energia com a finalidade de dirigirem muitas horas além do limite suportável pelo organismo. Com essa atitude insana provocam, a toda hora, terríveis desastres arrastando para a morte as pessoas que tiverem a infelicidade de se encontrar no seu caminho. Quantos deles, também, se acabam pelo mesmo motivo! A urgência exigida pelos patrões na entrega das cargas e o desejo de ganhar mais dinheiro dos fretes os fazem dirigir, às vezes, 16 horas, sem nenhum descanso. Lastimavelmente as autoridades não mantêm um policiamento severo para coibir esses abusos. Viajar por terra, em nosso País, tornou-se um verdadeiro desafio. Uma nação de dimensão continental tem distâncias quilométricas e para alcançá-las gastam-se muitas horas, dias e meses. Um veículo despende muitos reais em combustível, ainda tem o desgaste do mesmo; necessitaria de muitas paradas, algumas dormidas, mais alimentações para uma viagem normal. Somando tudo, sobraria pouco lucro. Por isso os motoristas usam esses artifícios errados em busca de maior ganho e menor gasto de tempo. Mas não têm o direito de sacrificar a vida dos outros. Com o tamanho do nosso País deveríamos possuir uma grande rede ferroviária para transportar com segurança os produtos e as pessoas de um a outro lugar. Toda Europa, América do Norte, alguns países da América do Sul, África do Sul, grande parte da Ásia possuem ótimas linhas férreas e ninguém tem prejuízo. No Brasil as poucas que já existiram representavam perdas. Navios, também. Já tivemos uma boa frota, mas as grandes tripulações, os altos impostos e a corrupção os faziam deficitários. Andei lá na Grécia num que havia sido nosso: o Rosa da Fonseca. Usava o nome de Orion. Tinha sido comercializado com aquele país. Aqui levava 180 tripulantes, lá somente 80 e navegava com sucesso. Tudo que é estatal no Brasil dá prejuízo! Nos outros países dá lucro. Inúmeros transatlânticos estrangeiros hoje fazem cruzeiros em nossos portos. É um turismo de grandes lucros. E nós ficamos a ver navios! (*) É escritora.