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2009: crise e esperan�as

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2009 começa trazendo na bagagem algumas heranças negativas de 2008. A crise econômica mundial prossegue na ordem do dia colocando em xeque as perspectivas de desenvolvimento sustentável. O desemprego aumenta, os investimentos diminuem e empresas reduzem investimentos. O crédito está escasso e os brasileiros já colocam o pé no freio do consumo. É, enfim, um indício técnico de recessão. É o reflexo de uma ciranda financeira irresponsável da qual poucos se beneficiaram e, agora, muitos pagam a conta. Outra questão preocupante diz respeito aos conflitos entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. A paz é um dos mais sagrados patrimônios da humanidade, sendo inconcebível ações de intolerância e radicalizações, por quaisquer das partes. É inadmissível que a falta de diálogo leve ao recrudescimento dos ânimos, provocando destruição e ceifando vidas inocentes. Neste caso em particular, é necessário um real e persistente esforço para a consolidação de um fórum democrático de negociação sob a vigilância da Organização das Nações Unidas (ONU). A paz deve ser resgatada respeitando o direito de todos os povos da região. Esperamos que a trégua venha imbuída da sincera busca de soluções. Também temos, ainda bem, boas notícias nesse início de ano: uma é a expectativa positiva em torno do recém-empossado presidente americano, Barack Obama. De todas as partes do mundo ecoa a esperança de que ele poderá ter importante papel na construção de tempos melhores para os Estados Unidos e para uma nova ordem mundial. Não há dúvida que uma pessoa com o perfil e história de Obama tem tudo para viabilizar mudanças relevantes nas engrenagens do poder. Vislumbra-se, assim, uma perspectiva para países como o Brasil que, a despeito de tantas mazelas, constrói dia-a-dia uma democracia mais participativa e solidária. Mas as coisas só caminharão realmente bem se fizermos nossa lição de casa. É preciso resolver as insuficiências do sistema de saúde, oferecer reais possibilidades para as crianças e educá-las, especialmente as da periferia que são presas fáceis do crime e do tráfico. Temos de zelar pelo meio ambiente, pela Amazônia, além de reduzir urgentemente as diferenças sociais, entre tantos outros desafios. Estou convicto de que é possível solucionar nossos problemas em áreas vitais, como saúde educação, segurança e inclusão. O primeiro passo é exigir que nossos governantes façam a sua parte, pois queremos fazer a nossa. Se a sociedade civil souber se organizar, certamente teremos um feliz 2009. (*) É médico e presidente da Associação Paulista de Medicina.

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