Opinião
Crise, propostas e insucesso
As décadas de 70 e 80 marcaram fortemente o período de expansão e crescimento da indústria sucroalcooleira no Estado de Alagoas. Poderíamos dizer que foi o terceiro ciclo de crescimento da cana-de-açúcar no território que Dirceu Lindoso em seu livro A Formação de Alagoas Boreal, chama de antigo Pernambuco. O primeiro deu-se no século 17 conduzido pela Companhia das Índias Ocidentais, o segundo no fim do século 18 patrocinado pelo Marquês de Pombal e o terceiro ciclo no último quarto do século 20, e teve dois momentos de vitalidade econômica. Primeiramente com a relocação, reforma e ampliação do parque açucareiro marcado pelas grandes reservas de divisas oriundas das vendas e posteriormente o Programa do Álcool, viabilizado pela crise internacional do preço do petróleo. A implantação do programa processou-se na década de 80. Em Alagoas ele seguiu duas vertentes: a das destilarias anexas às unidades de açúcar e a outra das destilarias autônomas. As novas unidades espalhadas pela Zona da Mata tiveram como viabilidade a produção de álcool via cana-de-açúcar e mel residual baseado no pressuposto de que excluindo uma forte crise de preço e abastecimento de petróleo, o combustível renovável álcool, somente seria viável com um forte amparo em subsídio à produção. Esta premissa foi formulada, discutida e aprovada pelo governo federal regulando-a através do órgão competente Cenal. Ao governo dos militares criadores do Programa Nacional do Álcool, seguiram-se governos civis que, incompetentes para administrar a economia do País, passaram suas administrações criando planos econômicos de grande repercussão e pífios resultados. Pouco a pouco as destilarias autônomas foram sucumbindo e se transformando em ferro-velho, cujo feitor vai vendendo os retalhos para pagar o que herdou da carga tributária e da gestão social da criação de emprego, espelhada nos passivos previdenciários. As políticas públicas para o setor continuam inexistentes, fruto talvez da omissão, desconhecimento ou miopia. O gestor mor do mal que causou ao produtor de cana está de volta ao cenário político do País. O Nordeste, sua zona canavieira não deve continuar a acumular passivos em troca de permanecer na tentativa de gerar empregos de qualidade desumana na atividade agrícola, convivendo com a adversidade do tempo e competindo, quem sabe, com a falência dos assentamentos. (*) É engenheiro.