Opinião
Tamanho da m�quina
Segundo um raciocínio ingênuo, seria simples e fácil saber quantos e quem são os funcionários públicos de um Estado brasileiro. Mas, em função de deformações históricas que corroem a máquina pública (no caso, alagoana), é cada vez difícil responder a essas questões elementares para a correta administração estatal. As recentes denúncias, divulgadas pelos próprios gestores da estrutura administrativa alagoana, reforçam a evidência de um universo subterrâneo (ilegal e danoso) a se espalhar sob a superfície do serviço público. Mais de uma vez já se tentou, e até se levou adiante, essa missão de grande risco: fazer o censo dos servidores estaduais em Alagoas; e mais de uma vez, buscou-se ampliar esse levantamento seminal para todos os segmentos dos serviços públicos em nosso Estado, buscando justapor as listas com os nomes dos integrantes das máquinas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, quer seja em nível estadual e/ou municipais. Mas, de uma forma ou de outra, a penumbra tem levado a melhor e os resultados dessas heroicas tentativas têm deixado a desejar. Nos dias em curso, mais uma tentativa está sendo levada adiante. E, novamente, uma contraofensiva está em curso. Desta vez, ao avanço proporcionado pelo uso da informática e da internet, uma barreira igualmente moderna foi erguida por quem tem interesse na escuridão e o sistema, via web, foi bombardeado. E o governo promete uma resposta à altura, tendo mobilizado especialistas e a própria Polícia Federal para derrotar os hackers das falcatruas nas listas de servidores e folhas de pagamento. O mais importante é o governo persistir em seu intento. E, para tanto, deve estar consciente e preparado para a guerra, pois tudo indica que não são pequenos os interesses em que a caixa-preta dessa fortaleza voadora continue longe da luz.