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Opinião

Tempestade diplom�tica

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O caso do italiano terrorista Cesare Battisti vem se ?arrastando? há semanas! Protegido do governo federal, levou o ministro da Justiça Tarso Genro a dispor de tempo para fazer ?estudo cuidadoso? dos processos. Afirmou não ter encontrado provas concretas que colocassem o acusado na cena dos quatros homicídios pelos quais havia sido condenado à prisão perpétua, na Itália. A França e a Corte Européia de Direitos Humanos mantiveram a extradição do terrorista para cumprir pena decretada em solo italiano. O acusado conseguiu abalar o relacionamento diplomático entre seu país e o nosso. O caso foi parar no STF (Supremo Tribunal Federal) que determinou sua captura. O Ministério da Justiça levou o Brasil a uma polêmica internacional. O jornalista Boris Casoy afirmou: ?Foi uma gafe do governo brasileiro em não conceder a extradição ao terrorista italiano?, e fez votos para que o STF possa reparar esse erro, que levará o Brasil a ser conhecido ?como o país da impunidade?. O incoerente é o fato dos dois atletas cubanos terem sido devolvidos quando pediram asilo ao Brasil. Dois pesos e duas medidas. A crise atingiu o ápice, quando a Itália chamou seu embaixador Michele Valensise, em 27 de janeiro. Foi um gesto que refletiu o desapontamento do governo italiano, diante da decisão do governo brasileiro. Entre outros protestos, ventilou proibir a vinda de turistas italianos às praias do Nordeste. A imprensa relata o fato do presidente francês Nicolas Sarkozy e sua bela esposa, a italiana Carla Bruni, em visita ao Rio de Janeiro, terem influenciado o presidente Lula a conceder asilo a Battisti. Em entrevista exclusiva à revista Isto É relata: ?Minha fuga para o Brasil foi ideia do Serviço Secreto da França?. Sarkozy, quando Ministro do Interior e candidato à Presidência, explorou a prisão do ex-terrorista em sua vitoriosa campanha. Eleito, compôs o seu governo com a esquerda francesa. Cunhado da italiana Valeria Bruni, irmã de sua carismática Carla, (ambas favoráveis à causa) ?o presidente seria movido por um misto de remorso e conveniência política?, relata a revista citada. A tempestade diplomática levou a primeira dama francesa a convocar, no início de fevereiro, a imprensa para declarar que não tratou desse assunto com o governo brasileiro. Segundo o presidente Lula: ?A concessão de refúgio foi um ato soberano do Brasil?. ?Trata-se de um caso encerrado?, disse o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach. Será? (*) É médica e empresária de Turismo.

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