Opinião
A paix�o dos governos
Os governos possuem certas e inevitáveis paixões, sem as quais não fazem história nem alimentam as esperanças do povo. Suas ações traduzem compromissos, afeições ideológicas e intensidade de propósitos. Seus pecados revelam o brilho humano de suas intenções diante do indagador julgamento de seus contemporâneos. As ideias ditam o conteúdo de suas metas e estabelecem o destino de seus resultados. As boas realizações exigem convicções e obstinada firmeza. Somente se conquistam com fervorosa dedicação. Hegel, também cultivou a história e nos ensinou com precisão ? nada de grandioso se alcança sem paixão.? Cada governo possui suas próprias armas e caminhos peculiares. Enfrenta dilemas políticos e desmedidas ilusões. Sendo difícil conciliar, a ardorosa presunção dos projetos com a realidade adversa dos números. O conflito gera desencontros, abala coerências e incentiva rebeldias. Os governos precisam amar as instituições. Defender os interesses prioritários da população. Assegurar, assistência médica e hospitalar, educação escolar em diversos planos e o mínimo de paz para todos. O ser humano deve ser a figura central de suas preocupações e a teimosia constante de seus gestos. A democracia representa o regime dos sentimentos. A comunicação é o diálogo das revisões construtivas. A frieza não aproxima, não faz palpitar nem cria cumplicidades. Sem união de pensamentos, os obstáculos crescem, impedem a visão das soluções, confundem medidas e não permitem distinguir ? camuflados adversários dos fiéis colaboradores. A ciência do Estado moderno recomenda substituir a razão das armas pelas armas da razão. A racionalidade não aplaude exageros, defende a primazia do valor do conhecimento. Busca as raízes dos problemas e suas conseqüências. A sabedoria popular diz de modo triunfante ? se combate o mal pela raiz. As alianças e estratégias sombrias dividem as forças vitais da administração pública, estimulam os transgressores da lei e exaurem a atenção dos governos. Os efeitos do mal são multiplicadores, suas causas originárias merecem registros, inadiáveis cirurgias e reconstruções redentoras. A paixão pela verdade deve colocar a consciência dos governos acima dos tumultos reinantes. O mais grave prejuízo se constitui o sacrifício do tempo e a mobilização onerosa de todos, em detrimento ? das ações do desenvolvimento, das metas que libertam o povo da miséria, do novo mundo que temos a obrigação de construir. (*) É advogado.