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It’s the spread, stupid!

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Em julho de 2003 publiquei outro artigo com esse mesmo título, no qual afirmava que a discussão sobre os altos juros no Brasil estava desfocada. O debate não devia se ater exclusivamente à taxa Selic, mas prioritariamente ao spread, ou seja, a diferença entre o que os bancos pagam para captar recursos e o que cobram nos empréstimos que fazem. O objetivo daquele texto foi debater a atuação oligopolística dos bancos, que permite a cobrança de spreads superiores a cinco vezes a média dos praticados em outros países emergentes e, na média, 11 vezes os observados nos países desenvolvidos. O juro Selic tem efeito limitado no custo final do crédito no Brasil. A Selic, ainda elevada apesar da redução, estimula a poupança, atrai recursos externos de curto prazo e eleva os custos de carregamento da dívida pública. Mas está longe de explicar os extorsivos juros cobrados dos tomadores de crédito no País. Se sobre a Selic de 12,75% fosse aplicado um spread normal de 40% sobre o custo de captação, como ocorre mais comumente nos mercados financeiros mundiais, os tomadores de crédito no Brasil pagariam um spread ao redor de seis pontos percentuais, em vez dos 30 pontos percentuais que são cobrados atualmente. Voltei a publicar outros artigos retratando a questão do spread e do cartel dos bancos no Brasil. Isso contribuiu para mudar o foco das discussões sobre os juros no País. Colunistas, técnicos e instituições internacionais passaram a ressaltar a necessidade de maior competição bancária e de redução dos spreads como condição fundamental para a economia contar com juros que estimulem o crescimento. A atual crise econômica intensificou a convicção sobre a necessidade de reduzir os juros como forma de fortalecer o mercado interno. Mas o impacto mais significativo da recente redução da Selic ficará restrito ao custo da dívida pública, que será reduzido em cerca de R$ 7 bilhões com o recuo da taxa de 13,75% para 12,75%. Quanto aos juros finais, a Associação de Executivos de Finanças estima que a taxa média cobrada dos consumidores cairia de 7,49% ao mês para 7,41%, e, para as empresas, passaria de 4,35% para 4,27%. Ou seja, impacto praticamente imperceptível para os tomadores de crédito. Conclui-se que o juro primário pode ser reduzido em quatro ou cinco pontos percentuais pelo Copom e, mesmo assim, os juros finais irão inviabilizando as atividades produtivas se os spreads não caírem substancialmente. Se a intenção for utilizar os juros como instrumento de defesa contra a crise mundial, estimulando o consumo e os investimentos por meio de sua redução na ponta, é indispensável enfrentar o cartel bancário e reduzir impostos sobre o setor, de tal forma que os spreads fiquem próximos dos praticados pelos países emergentes. (*) É doutor em Economia.

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