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Dom H�lder – cem anos

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?Ele se mostrou cheio de misericórdia pelos pequenos e pobres, pelos doentes e pecadores, colocando-se ao lado dos perseguidos e marginalizados? ? dizia o prefácio da missa, rezada no último sábado, presidida pelo presidente da CNBB, dom Geraldo Lírio, concelebrada por 22 bispos e várias dezenas de sacerdotes na frente da Igreja das Fronteiras no Recife, em memória dos 100 anos de nascimento de dom Hélder Câmara, promovida pela Arquidiocese, em união com a CNBB nacional e regional e com o Instittuto Dom Hélder Câmara. Poucas palavras da liturgia sagrada ? referindo-se diretamente a Cristo Jesus ? retratam tão perfeitamente a figura de dom Hélder; figura discutida por uns, perseguida por outros, muito amada pelos pobres e marginalizados do Recife e do mundo. Rezava ainda o cânon da missa, proposto por felicíssima coincidência pelo folheto dos Paulinos para aquele domingo: ?Senhor Deus, ...inspirai-nos palavras e ações para confortar os desanimados e oprimidos e fazei que nos empenhemos lealmente no serviço a eles?. Acho que a divina liturgia retrata aí, com perfeição, a vida e a atividade de dom Hélder nos vinte e um anos de seu pastoreio no Recife e pelos auditórios do mundo. E ainda: ?Que a vossa igreja seja testemunha viva da verdade e da liberdade, da justiça e da paz para que toda a humanidade se abra à esperança de um mundo novo.? Aí está delineado o grande sonho de dom Hélder: ?A esperança de um mundo novo, um milênio sem fome! ? que ele em seus últimos anos tanto desejou para o Brasil e para o mundo! Agora, duas reminiscências pessoais de meus contatos com dom Hélder, que retratam seu ministério pastoral mundial e a perseguição que o regime militar lhe moveu durante todo seu período de arcebispo de Olinda e Recife. Numa reunião do clero, numa roda de padres, ele contou-nos que havia pedido ao papa Paulo VI para liberá-lo do encargo de arcebispo metropolitano, conservando apenas o título de arcebispo de Olinda e Recife, para melhor poder se dedicar ao seu apostolado de missionário da justiça e defesa dos oprimidos pelo mundo afora. Na mesa do diretor de redação de um dos grandes jornais do Recife, meu particular amigo, que hoje reside em Maceió, pude ver uma ordem do comando do 4º Exército, em que, na previsão de um evento ao qual compareceria o arcebispo, ficava determinado que as câmeras de TV não poderiam focar em ?close? o arcebispo, o rádio não poderia fazer entrevistas com ele, nem o jornal divulgar em detalhes sua participação na solenidade. (*) É arcebispo emérito de Maceió.

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