Opinião
Esses blocos e seus nomes curiosos
Acreditando que no carnaval tudo é permitido, muita gente comete exageros e agressões até na hora de batizar os blocos. Apesar do mau gosto dos nomes de algumas agremiações, a maioria, no entanto, apresenta designações com bom humor, irreverência e criatividade, ingredientes indispensáveis ao reinado de Momo. No carnaval alagoano, essas características sempre foram exploradas pelos tradicionais blocos de rua que alcançaram notoriedade, principalmente, graças à influência dos seus respectivos nomes, baseados em fatos jocosos e situações pitorescas. Morcegos, Ciganinhas, Pás Douradas, Vassourinhas, Lenhadores, Maroins, Parafuso, Garças Brancas, Marítimo, Cara Dura, Vou Botar Fora e o Cavaleiro dos Montes, que recebeu essa denominação porque era do Farol, bairro da parte alta da cidade, são exemplos de blocos e troças que estão desativados, mas, continuam lembrados por causa dos nomes. Eles foram os primeiros a arrastar multidões nos carnavais de Maceió. A partir da segunda metade do século passado surgiram outros blocos de frevo que também ficaram famosos em virtude dos nomes curiosos: Vulcão, Bomba Atômica, Sai da Frente, Arrasta Véia, Amigo da Onça, Vareta de Aço e Daqui Não Saio. No carnaval de 1967 ocorreu um fato inusitado envolvendo o Daqui Não Saio, que realmente não saiu porque os músicos abandonaram o bloco na concentração, na hora do desfile, devido a um desentendimento com a diretoria. Enquanto isso, havia uma enorme rivalidade entre o Vulcão e o Bomba Atômica, pois, o primeiro era puxado por uma orquestra composta de músicos da banda da Polícia Militar, e o outro tinha a sua orquestra formada por integrantes da banda do Exército (20º Batalhão de Caçadores), o que tornava a passagem dos dois blocos mais animada, visto que cada um procurava exibir-se de forma mais vibrante, para fazer jus ao nome. Atualmente, alguns blocos apresentam nomes que tem tudo a ver com o espírito carnavalesco, como, por exemplo: Filhos da Pauta, formado por jornalistas; Pinto da Madrugada, afilhado do Galo da Madrugada, de Recife, considerado o maior bloco do mundo; A Mulher da Capa Preta, baseado numa lenda popular corrente em várias cidades do Brasil; Pecinhas de Maceió, mostrando homens usando trajes femininos; Filhinhos da Mamãe, inspirado na personagem de uma peça teatral; Saia Dessa Canetinha, inspirado num bordão usado por um apresentador de programa de TV, e o Rugas de Ouro, formado por mulheres da chamada melhor idade. (*) É advogado.