Opinião
Espelhando Lincoln
Demonstrando acurada visão de marketing político, Barack Obama elegeu, desde antes de sua posse, como a personalidade/referência de seu governo, um ícone americano perfeitamente globalizado : Abraham Lincoln. O início da administração Obama coincide com as comemorações do bicentenário do presidente mais famoso dos Estados Unidos, um líder de reconhecidas qualidades e responsável pelos alicerces da potência na qual se converteu a ex-colônia inglesa. Ao pautar seus passos num caminho cuidadosamente escolhido para rebuscar as reminiscências da caminhada do herói e mártir da unidade americana, o primeiro presidente negro daquele país faz mais que uma homenagem ao presidente que assinou a libertação dos escravos ianques; Obama faz um apelo. Barack Obama, sobre cujos ombros está colocado um fardo de peso incomensurável, busca, por meio da revigoração do ícone Abraham Lincoln, fortalecer a ideia da unidade americana a qualquer custo como forma única para que aquela nação siga seu caminho. Ao buscar formar um governo bipartidário (solução ainda limitada ao campo da teoria e das intenções), o presidente atual dos Estados Unidos lembra o presidente que, entre 1860 e 1865, enfrentou todos os obstáculos internos (inclusive a horripilante e fratricida Guerra da Secção) para que a nação americana vencesse seus próprios óbices ao desenvolvimento pleno de seus potenciais. E, infelizmente, ao custo da própria vida, Lincoln alcançou a plena vitória em seus objetivos estratégicos. A escolha, portanto, dessa bandeira, é perfeita, até pela tragicidade do momento vivido. Esperando que um destino menos trágico possa ser alcançado, e fazendo coro com as justas celebrações pelos 200 anos de nascimento de Lincoln (12 de fevereiro de 1809), as almas esperançosas de todo o mundo torcem pelo advento da paz e da prosperidade.