Opinião
Ainda no centen�rio de dom H�lder C�mara (1909-2009)
Sem dúvida, mais do que nunca, a Igreja necessita recuperar a profecia, dom de graça a todos os batizados e dever de todo Povo de Deus, especialmente quando se tenta, a todo custo, minimizar o poder transformador do Evangelho anunciado por Jesus Cristo. Adverte-nos dom Hélder: ?Há momentos tão graves na marcha da humanidade que, em lugar de nos acusarmos mutuamente, nós todos, não só como indivíduos, mas como povos e instituições, teríamos a necessidade de profetas que, em nome do Senhor nos chamassem a verdadeiras conversões, a verdadeiras mudanças de vida, a verdadeiros nascimentos... Ai de nós, faltam profetas e nós sorrimos dos profetismo... O Espírito de Deus assume o papel dos profetas, convoca-nos hoje a conversões que são urgentes e intransferíveis, desvenda-nos nossas incoerências, confronta-nos com a verdade que nos torna livres e capaz de todos atos e compromissos em favor da vida e da humanização do mundo?. A Igreja, diz ele, ?é presença no esforço do homem para humanizar o mundo {...} Humanizar o mundo é tirar de toda a criação os sinais do pecado, para que o homem atinja sua dimensão mais profunda: ?sede perfeitos, como o Pai é perfeito??. A humanização passa necessariamente pela defesa corajosa da vida e pela recuperação da dignidade do ser humano. Esta, no dizer de dom Hélder, é uma ação urgente da igreja de todos os tempos: ?Chegou a hora de o Povo de Deus em áreas subdesenvolvidas, atirar-se de cheio à batalha do desenvolvimento dos filhos de Deus reduzidos, por uma subvida, a sub-homens?. A consciência dos pecados sociais e estruturais provocadores do espiral de morte em nossa cultura e em nossa sociedade é ponto de partida para a ação profética da Igreja em defesa da vida, responsabilidade inadiável e intransferível que envolve todo o Povo de Deus, na diversidade de sua presença e ação no mundo. Neste nosso contexto bem particular, da Igreja Arquidiocesana de Maceió, missionária e samaritana, temos muito que aprender do grande Profeta dos nossos tempos, quase todos nós desta geração pós-conciliar, que com tanta alegria, podemos ouvir sua voz e seguir seus ensinamentos, sem deixar de ficar encantados com a sua coragem evangélica. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.