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Opinião

O novo m�nimo brasileiro

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Desde o primeiro dia de fevereiro, 43 milhões de brasileiros passaram a contar com um salário mínimo de R$ 465,00, obtendo um ganho real acumulado de 6,3%, descontada a inflação do período; o que representa, segundo especialistas, um incremento de 27 bilhões na economia do País. Apesar da insatisfação da grande maioria dos trabalhadores com o acréscimo de apenas R$ 50,00 em seus salários, poucos protestos foram vistos a respeito. Lembro-me de épocas em que o anúncio do mínimo era aguardado com expectativa e levantava grandes discussões no País. Atualmente, um exemplo isolado foi o caso das empregadas domésticas que afirmaram: ?Apenas um mínimo de R$ 1.500 seria suficiente para suprir as necessidades básicas de educação, saúde e alimentação de nossas famílias?. Esse valor, porém, ainda está abaixo dos necessários R$ 2.100 reivindicados pelo Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese) para suprir tais necessidades. O aumento do mínimo é entendido como possibilidade de mais consumo e mais aquecimento na economia e, por isso mesmo, oportunidade de crescimento e geração de emprego. No entanto, existe uma consequência negativa nesse reajuste salarial que nem sempre é contabilizado nas análises econômicas: os preços dos produtos e serviços são ajustados, irregularmente, pelo mercado, a partir do momento em que se fala do aumento do salário mínimo. Com isso, os que recebem esse aumento, e, principalmente, os que nem recebem, sofrem com salários defasados pelas atuais políticas de reajustes. Um periódico religioso publicou um suelto segundo o qual a cidadania almejada se concretiza na conquista dos direitos civis (vida, integridade, liberdade, segurança), direitos sociais (educação, saúde, cultura, informação, meio ambiente) e direitos econômicos (terra, alimento, trabalho, moradia). No passado, ?o americano espirrava e o brasileiro ficava gripado?. As caretas do Tio Sam, atualmente, já não nos traziam tanta preocupação. De repente, provocaram tremendo choque nos mercados do mundo inteiro, gerando crise financeira internacional. No caso brasileiro, apesar das negativas governamentais, a mais grave consequência é a do desemprego. Milhares de empresas estão dispensando funcionários, levando famílias ao desespero. Não acredito em país que vai bem se o povo vai mal. Entretanto, o aumento do salário mínimo não agradou a maioria dos que dele se beneficiam. Representou, sob alguns aspectos, uma dificuldade a mais para a classe média brasileira que sente fortemente seus desdobramentos em toda sua área de consumo, sufocada por impostos e contribuições obrigatórias. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

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