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Sempre costumava a destinar críticas ao governo na sua atuação na área educacional. Muitos dos meus textos continham um discurso eloquente de como as autoridades políticas precisariam investir nas escolas públicas. Mudei o modo de pensar, quando, pude, há 2 anos, ter contato diário com uma escola de ensino municipal. Minha ótica sobre os investimentos dos políticos no ensino, ou melhor, o não investimento estava revestida de preconceitos e falta de conhecimento. Descobri que a principal mazela, no cerne do ensino, era a atitude de mestres. Muitos deles encaram a sala de aula como um emprego comum. Não possuem uma visão de como é importante a escola para a melhoria dos níveis econômico-sociais brasileiros. Evidenciei como muitos deles não leem com frequência, não estão atualizados nas questões políticas e sociais. Há uma atitude lacônica sobre o comportamento desses professores. Todos os dias destinam um castigo àqueles alunos praticantes de atos geradores de balbúrdia na sala de aula. Enviam-nos à secretaria com um castigo. Você, leitor, ao falar sobre punição escolar, pode estar se lembrando dos joelhos no milho, na cabeça baixa para reflexão. Se pensou nessas penalidades, não acertou. Ler. O que? Por que esta palavra surgiu no meio deste parágrafo? Esse vocábulo faz uma alusão ao castigo. Sim, para alguns ?mestres? a leitura é algo tão enfadonho que pode ser ministrado como uma penalidade. Desde cedo, as crianças aprendem essa mentalidade equivocada. Claro, estes não leem, pois não possuem tempo. ?Confie em quem gosta de ler(...). Olhe com desconfiança para os que afirmam não ter tempo, que dizem achar a literatura uma coisa bonita, que na juventude ainda dá para ler, mas que depois... São todos uns mentirosos, não dão a mínima,e mentem sabendo que es tão mentindo?, diz Roberto Cotroneo. Não objetivo defender os políticos brasileiros, pois sei como ainda precisam investir, progressivamente, sem desvios de verbas, na educação. Acredito, todavia, que para a melhoria do ensino no País, os principais os protagonistas deveriam ser os que lecionam. A eles, dedico esta carta, não como forma de crítica, porém como um meio pelo qual possam melhorar e ocuparem seus verdadeiros papéis: os de atores principais na premente reforma educacional brasileira. (*) É estudante universitária (e-mail: [email protected]).

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