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Taturanas? Estou fora!

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O que me chama a atenção neste episódio das ?taturanas? não é tão somente o volume de dinheiro envolvido, mas também a mediocridade absoluta nas condutas cívica, moral e cultural! Afirmo isto porque sempre me pergunto como alguém a quem o destino proporcionou a oportunidade de construir, fazer o bem... A quem o destino concedeu a chance de poder ajudar a centenas, milhares de pessoas paupérrimas e sem futuro (pessoas que encontram todos os dias de suas vidas nas ruas, favelas, parques e sinais de trânsito do nosso Estado), se dedicaram a um dos mais abjetos atos humanos: a traição aos que neles confiaram! Tivessem se preocupado em ler mais, se instruir mais, saberiam que existe uma diferença fundamental entre a desprezível prática ?taturana? e o que definiu o filósofo britânico John Locke em sua obra Segundo Tratado sobre o Governo: ?A primeira lei natural básica que deve nortear até o próprio Poder Legislativo consiste na preservação da sociedade e, até onde seja compatível com o bem público, de todos os seus membros?. Desconhecer esta regra básica inerente aos homens e mulheres de bem (e não precisa ler John Locke para saber disto) significa não ter compromisso com a dignidade. Não somos uma sociedade feudal onde pseudos barões, que se acreditavam poderosos e inatingíveis, imaginaram poder manipular e se apropriar do dinheiro público (nosso dinheiro) apenas para satisfazer interesses próprios e dos seus. Precisamos aprender a reagir a tais comportamentos da mesma forma como reagimos ao assaltante comum que invade o nosso lar! Você cumprimentaria respeitosamente e sorridente ao delinquente que invadiu sua casa ou lhe assaltou na rua ou no trânsito, quando o encontrasse n a rua? Eu mesmo sou testemunha de tal fato, pois certa feita estava no Iguatemi com alguns colegas e amigos quando uma determinada figura destas, ex-prefeito acusado por ter desviado dinheiro do leite para crianças pobres do município onde era responsável, dirigiu-se à mesa em que nos encontrávamos e teve uma calorosa recepção como se fosse um homem de bem! Não me dirigi a tal figura e me retirei da mesa até que fosse embora, mas fiquei entre surpreso e triste por constatar que em nossa ?província? o provincianismo ainda impera em seus mais nefastos aspectos. Não somos pobres apenas de meios materiais, mas também pobres de consciência social e isto tem de mudar se queremos uma sociedade mais justa. (*) É membro do Ministério Público.

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