Opinião
Rodovias x cidades
Tem sido recorrentes os protestos como os noticiados ontem, realizados em função de problemas com o trânsito em áreas populacionais situadas às margens de rodovias. E o problema tende não só a continuar, como a se agravar. Contribui para essa continuidade e agravamento o fato, evidente e indiscutível, da inexistência de força de vontade política para aplicar, mesmo que precariamente, a legislação vigente que determina cuidados e normas para a ocupação urbana e sua relação com as rodovias. Há muitos anos que, impunemente, são ocupadas as margens das estradas, com as construções, muitas das vezes, invadindo até o que deveria ser área de acostamento. Como se não bastassem os chamados ?equipamentos? típicos ao longo das vias, como postos de combustível, pontos de alimentação, borracharias, etc, bairros inteiros colam-se à beira das pistas, desconsiderando que essas são canais naturais para o escoamento de tráfego pesado e de maior velocidade. A irregular e perigosa promiscuidade entre as áreas habitacionais e as estradas (interestaduais e intermunicipais) em Alagoas, há muito, passou dos limites. Daí ser inevitável o aumento dos acidentes, produto inevitável do erro elementar da convivência entre pistas de rodovias e malha urbana. Como esse erro nem foi evitado, nem se cogita em fazer cessar sua ocorrência, o conflito só tende a aumentar. E paliativos como lombadas (de cimento ou eletrônicas) representam uma falsa solução, pois apesar de proporcionar certa sensação de segurança nas proximidades de onde são instaladas, atravancam o trânsito e podem gerar até mais acidentes, se colocadas aleatoriamente. A solução, perene, é a atenção às normas, com o poder público garantindo as áreas de segurança (como acostamentos e sinalização) e distanciando as áreas urbanas das rodovias. Só assim seremos eficientes na defesa da vida.