Opinião
Farsas e trotes
Oscilava entre o Gênesis, Darwin, dom Edvaldo, Marx e a advogada brasileira Paula Oliveira quando recebi um e-mail da professora Renira Lima. Admirável Renira, mergulhada no estudo da estrutura de Marília de Dirceu, ainda encontra tempo para instigar, a mim e ao Cláudio Vieira, a escrevermos sobre a violência dos trotes nas universidades. Com efeito, lendo ?cartas dos leitores? da revista Veja comentando matéria sobre os 150 anos da publicação de A Origem das Espécies, de Charles Darwin, de certa forma surpreendi-me com a declaração do bispo emérito dom Edvaldo Amaral. Tema polêmico que racha as cabeças pensantes do catolicismo, dom Edvaldo confessa-se ?evolucionista? (?darwinista?, portanto) sem perder a fé de que esta evolução tem assinatura divina. Certamente, católicos de elite, e algum raro evangélico, que ousam afirmar preferência aos ditames da ciência em detrimento do ?revelado? pelas sagradas escrituras sabem das implicações. Dentre elas, a negação tácita de ?verdades? caras, como o paraíso terrestre, a tentação da serpente, o pecado original e até a criação do homem ?à imagem e semelhança de Deus?, disparates ainda hoje repetidos. Presume-se, pois, que se depender de d. Edvaldo, adeus, queridos e bons Adão e Eva. Tido como um dos grandes estudiosos do capitalismo, o filósofo K. Marx criou uma verdadeira religião. Durante anos, com a crença dos catecúmenos, seus seguidores apostaram na definitiva extinção da decadente burguesia. Varrida da face da terra, seria substituída pela força irresistível do proletariado. Escarrando nas liberdades em nome de suposta igualdade, difundindo o medo como tática de adesão, quem sabe por isso, os regimes comunistas feneceram. O sonhado ?novo homem? provou ser uma figura de retórica. Com a falência catastrófica em quase todo o mundo, os arqui e neoapóstolos de Marx passam a ideia, hoje, de viverem torcendo para que nada dê certo. A última esperança seria o gorilão venezuelano. Nesse aspecto, O Capital, bíblia do comunismo, estaria mais para o fantasioso Gênesis. Suposta vítima de neonazistas na Suíça, a advogada Paula Oliveira, montou farsa de pernas bem mais curtas. Nunca houve gravidez e torturas de skinheads não passam de criações de uma mente conturbada. Digna da compaixão humana, como não há perdas de membros, a prática está mais para ?autoflagelo?. Desde já fica combinado: o compromisso moral de comentários futuros sobre trotes. (*) É médico e professor da Ufal