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Opinião

Cruzeiro pelo Mediterr�neo

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Com facilidade, embarco no belo transatlântico Brilliance of the seas. Dão-me uma excelente cabine, própria para deficientes. Além de grande e de ter um banheiro confortável cheio de tubos para amparo na locomoção, possui um dispositivo que abre e fecha a porta automaticamente. Formidável! Aliás, todos os banheiros do navio, com a finalidade de servir aos cadeirantes, possuem essa facilidade. O europeu tem um grande respeito à lei internacional que protege os que precisam de ajuda. Bem diferente do Brasil, sobretudo Maceió, onde algumas pessoas, num pouco caso absoluto, ocupam os estacionamentos destinados aos deficientes, colocam os carros na frente das raras rampas feitas nas calçadas para a descida de cadeiras de rodas, esquecendo-se de que são passivas de multas e, também que, amanhã, talvez, estejam precisando usá-las e passem pelo mesmo embaraço. O tempo corre para todos e ter educação é muito bom. Isto acontece porque as leis em nosso país são desrespeitadas e segue valendo o ?jeitinho brasileiro?. O navio estava lotado. Na maioria de americanos, mas existiam passageiros de todos os quadrantes da terra. Nossos compatriotas estavam pouco representados. Assim procurei me familiarizar com os gringos: por sinal me dei muito bem com eles. O meu inglês serviu para me comunicar, sem problemas. Todos gostam de um sorriso e de que lhe deem atenção; ?Hello (alô), how are you (como vai), good morning (bom dia), You are very nice (você está muito bonita), etc.?, são frases que sempre agradam e servem para aproximar as pessoas. Algumas me contavam os motivos de sua viagem. Havia os que estavam comemorando suas Bodas de Ouro e eu os felicitava com alegria, e, muitas vezes, ganhava um beijinho de amizade. Graças a Deus sou muito comunicativa, por isso nunca me sinto sozinha. No navio, havia música em todos os bares e no salão de jantar. Todas as noites era apresentado, no teatro, um espetáculo diferente e de qualidade. Os trajes diários chocavam pela simplicidade, mas quando exigiam roupa formal, os passageiros caprichavam. Quase todos eram da terceira idade. Mas sabiam se divertir. Nossa primeira parada foi em Cannes, a cidade mais elegante e bonita da Côte d?Azur. Já estivera muitas vezes no lugar, e como a descida ficava difícil para mim; pois o navio ancorou ao largo, preferi permanecer a bordo, aproveitando o tempo para registrar minhas impressões da viagem. À noite compareci ao coquetel de apresentação do comandante e depois fui assistir a um maravilhoso show com um mágico que fazia desaparecer as coisas mais inacreditáveis. Existem outras pessoas com cadeiras de rodas. Ocupamos uma área especial, no teatro. (*) É escritora.

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