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Ouro das favelas

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Grande vitorioso do Oscar 2009, o filme britânico Quem quer ser um milionário? deixa uma série de reflexões no ar. Rodado em Mumbai (a velha Bombaim dos ingleses) com grande participação de nativos, a película arrebatou oito estatuetas, mas ainda deixa seu vitorioso diretor, Danny Boyle, profundamente irritado quando alguém lembra as parecenças de seu filme com o brasileiríssimo Cidade de Deus. Para os estudiosos do tema, além do ponto de partida (uma história sobre sobreviventes nas favelas tendo favelados como atores) várias tomadas da película vencedora do Oscar 2009 seriam idênticas ao filme brasileiro, e até uma apavorada galinha teria proeminência incidental em ambas as produções. Segundo a mídia especializada, em mais de uma vez, o diretor britânico teria se irritado com a inevitável comparação (e inerente suspeita de plágio). Ainda distante da sonhada estatueta, apesar da conquista de outros galardões doirados do cinema universal, o cinema brasileiro pode se alegrar com a constatação (embora essa fique praticamente restrita à mídia especializada nacional) e pode se empolgar para seguir adiante, pois apesar da magreza dos prêmios, diretores brasileiros, como o próprio Meirelles, de Cidade de Deus, são reconhecidos internacionalmente. Outra questão é a exposição dos dramas dos favelados, espécimes endêmicas do terceiro mundo (especialmente numerosas nos chamados países emergentes, ou BRICs), o que pode contribuir para que seus sofrimentos possam, um dia, ser alvo de políticas públicas sérias em seus países. Neste aspecto, Cidade de Deus talvez tenha sido menos contido, menos condescendente, menos engraçado, mas ? com certeza ? mostrou mais cruamente um pouco da realidade dramática de populações inteiras expostas ao crime. Não levou a estatueta, mas certamente deixou uma marca indelével que será mais lembrada agora. Quem sabe?

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