Opinião
O sil�ncio rompido
Há exatos 77 anos, foi instituído o direito ao voto feminino, em 24 de fevereiro de 1932, pelas mãos do então presidente Getúlio Vargas. Segundo pesquisas, o código permitia apenas que mulheres casadas (com autorização do marido), viúvas e solteiras com renda própria pudessem votar. As restrições só foram eliminadas no Código Eleitoral de 1934. No entanto, não tornava obrigatório o voto feminino, só o masculino. O voto feminino, sem restrições, só passou a ser obrigatório em 1946. Décadas passaram e as mulheres, em sua luta constante pelos seus direitos, foram inseridas no mercado de trabalho que ?pertencia? somente ao homem. Muitas são as que se destacaram no âmbito social, da cultura, da economia, e começaram a ingressar na arena ?masculina? da política, no Brasil a partir da década de 80. Em Alagoas o número de mulheres na política, ainda é tímido, em geral ? como se tem visto na história do País ? ainda carregam sobrenomes de seus pais, maridos, familiares, para conseguirem um espaço partidário, que tem em maioria ?caciques? da ala masculina. Um número insignificante, mas de fortes expressões em suas gestões. São vereadoras, senadoras, deputadas, e prefeitas. No País, temos governadoras, ministras, e até candidatas à presidência da República como Dilma Rousseff, apoiada por Lula. As mulheres, ainda cerceadas de tantos entraves de gênero e preconceitos, com dificuldades no acesso ao poder, representam a maioria do eleitorado brasileiro. Do total de 127,4 milhões de eleitores brasileiros, 65,9 milhões (51,7%) são mulheres, segundo levantamento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Esta estatística, porém, decai no que concerne ao feminino em mandato eletivo, apesar da cota de 30% para candidatas de cada partido. Qual será o motivo da ausência da mulher na vida política? A mulher em nossa cultura foi preparada para o lar, para a educação dos filhos, e para serem companheiras de seus maridos. O trabalho fora de casa desafia a estrutura patriarcal do nosso país ? que anda a ruir ?, entretanto, ela vem conquistando cada vez mais espaços, respeito, confiabilidade e domínio. As trabalhadoras femininas são perspicazes, unidas em seus objetivos, centradas e sensíveis a urgidos de mudança. São destemidas e ousadas, podem até serem chamadas de ?damas de ferro?, mas sem perder a feminilidade, são fiéis às suas aspirações, acepções e ao grupo a que pertence. Atuam de modo multifacetário: são mulheres, mães, amantes e possuem uma profissão. (*) É psicóloga.