Opinião
Crise e op��o por qualidade
A história da humanidade é marcada por gravíssimas instabilidades econômicas e também por pós-crises de crescimento e prosperidade. O crash de 1929, na bolsa de Nova York, EUA, por exemplo, foi acompanhado por um período de depressão econômica mundial, falência de bancos, de empresas, e de elevado desemprego. Por outro lado, fez com que as engrenagens financeiras e produtivas repensassem seus processos, criando condições para décadas de desenvolvimento. Já atravessamos diversos outros períodos traumáticos em virtude de guerras mundiais, de quedas-de-braço para regular o comércio do petróleo, de incertezas factuais e locais. De todos, tirou-se alguma lição importante e a economia voltou a ganhar corpo, condição essencial para a geração de novos postos de trabalho, para a distribuição de renda, para a universalização de serviços de saúde, de educação , entre outros. Eis que agora estamos outra vez frente ao conhecido fantasma da crise. As notícias de cortes de vagas nas empresas tomam conta dos jornais, empresas anunciam redução de investimentos, o consumo sofre queda, as bolsas não param de despencar e os profetas do apocalipse pregam que não há saída. Há, sim. Eles estão errados. Em momentos como esse, não podemos baixar a guarda e nos deixar tomar pelo pessimismo. A hora é de reflexão. É de reflexão e de buscar caminhos, valores diferentes e de fato mais consistentes. Médicos e população, por exemplo, tem de assumir a postura altiva de resguardar o sistema de saúde. É uma área sagrada e que não pode, sob hipótese alguma, sofrer cortes em seus já escassos recursos. Recentemente, o governo anunciou um corte provisório de R$ 37,2 bilhões nas despesas do Poder Executivo previstas para 2009. É um dinheiro que certamente fará falta na economia. O que é pior: nos ministérios da Saúde e da Educação houve bloqueio de 4,2% e de 5,36%, respectivamente. Ora, isso é uma afronta à sociedade. Como cortar da saúde e da educação, se os brasileiros não recebem o mínimo adequado em assistência e formação. Se é necessário enxugar, que seja nos gastos, nos salários astronômicos de alguns privilegiados da política, funcionalismo e especialmente cortando desperdícios. Temos de exigir que o governo mantenha a roda da economia girando. Temos também de exigir que as áreas essenciais sejam preservadas e continuem recebendo investimentos necessários para uma prestação de serviço digna e de qualidade. (*) É presidente da Associação Paulista de Medicina.