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Opinião

O retorno do Esqueleto

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Decididamente esta não é a era de Aquários, ao contrário, vivemos em um momento histórico, em que as manifestações de intolerância, as mais variadas, vão surgindo à tona. Mais ainda quando as consequências da crise econômica se fazem sentir em todo o planeta, muito especialmente nas nações do chamado primeiro mundo. Estava certo o historiador Eric Hobsbawn ao prever o fortalecimento das ideias de direita, ou mesmo o retorno do pensamento fascista, em especial na velha Europa. Essa ideologia da intolerância, da discriminação, racista, nasceu durante o período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial, estabelecendo-se como doutrina oficial de Estado na Alemanha, Itália e no Japão, conformando as conhecidas nações do Eixo. Evidente que as novas manifestações de ódio ideologizado, que estão acontecendo em várias partes do mundo, vão se apresentando com roupagens distintas das recentes décadas de trinta e quarenta do século vinte. Para essas coisas sempre há justificativas razoáveis, porque as monstruosidades, nunca devemos nos iludir, são bastante humanas. Por exemplo, não se sabe, até o momento, exatamente o que houve com a advogada brasileira na Suíça. Ela pode ter sido, realmente, vítima de ataque de neonazistas, pode ter sofrido um surto psicótico, ou algo ainda não bem explicado. Mas um fato é verdadeiro, há um partido de extrema direita no poder por lá. E há uma conjuntura de hostilidade aberta aos imigrantes na Suíça. Ou melhor, em quase toda a Europa. Em certos países, forças de direita, ou mesmo de extrema direita, já participam de governos centrais ou regionais. Quando a perseguição aos imigrantes sul-americanos, africanos e árabes, chega às raias da obsessão paranoica, é porque determinadas nações europeias já não mais desejam a mão de obra farta, barata e clandestina. Nas grandes crises econômicas, as forças do obscurantismo sempre tiram do armário, de onde nunca saíram, o esqueleto da xenofobia, as agressões contra as nações emergentes ou em busca de novos patamares de desenvolvimento. Assim, nesses tempos complicados em que estamos vivendo é importante levantar bem alto a bandeira da soberania nacional e o repúdio aos atos de agressão aos cidadãos brasileiros ou de qualquer parte do mundo. (*) É advogado.

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