loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

O triunfo da “esperteza”

Ouvir
Compartilhar

Conta-se que ao assinar o protocolo que daria origem à construção de Itaipu, a fabulosa hidrelétrica da fronteira Brasil/Paraguai, o ditador paraguaio Alfredo Stroessner causaria desconforto geral ao indagar ao colega brasileiro Médici: ?Cadê dom Sebastian?? No caso, d. Sebastian era ninguém menos que Sebastião Camargo, dono da Camargo Corrêa, uma das maiores empreiteiras do Brasil, coincidentemente, companheiro de pescarias de Stroessner. Inicialmente fora dos esquemas milionários que ergueriam Itaipu, não precisa dizer que as autoridades apressaram-se em afagar o ditador paraguaio, incluindo o nome da construtora do amigo como copartícipe da obra. A exemplo de outras tantas gigantes do ramo, além de incontáveis nanicas espalhadas pelo torrão nacional, a Camargo Corrêa cresceu sob a sombra frondosa e perdulária do Estado. Nesse aspecto, a CC é exemplar. A partir do lombo de um jegue carregando areia de construção, meio século de existência transformaria seu proprietário num dos homens mais ricos do planeta. Construtor de Brasília, da ponte Rio-Niterói e de inúmeras outras megaconstruções, amigo de presidentes e de ministros influentes, financiador de campanhas eleitorais, pivô de benesses, é de se imaginar o modus operandi de d. Sebastian. Na época em que a Rio-Niterói foi inaugurada, comentou-se que o dinheiro gasto daria para fazer três pontes iguais. Figura mítica do setor, criou escola e fez seguidores que orgulhariam o mestre. Sem intenções apologéticas, Camargo surgiu naturalmente, por conta de reportagens de capa de duas das maiores revistas nacionais. Versando sobre a corrupção, o semanário Veja bateu mais forte e de forma mais persistente. Embora o estopim tenha sido a entrevista ?bombástica? do senador Jarbas Vasconcelos baixando o pau no seu partido, o PMDB, na verdade, governo, Lula, a classe política enfim, foi no rolo. Vasconcelos não foi tão ?generalista? como se propala. Não obstante a repetição de fatos sobejamente conhecidos sobre a postura moral que norteia seus pares, em algumas ocasiões do seu depoimento foi diretíssimo. Mas o que impressiona mesmo, além da imperial indiferença diante das acusações, é o desembaraço com que essa turma se move, sem qualquer tipo de admoestação. Contudo, à metralhadora de Jarbas faltou munição quando (não) apontou para o malandro velho de guerra Orestes Quércia, cujo currículo é a síntese da ?esperteza? do político brasileiro. (*) É médico e professor da Ufal.

Relacionadas