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Opinião

Esfor�o recompensado

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Foi muito gratificante ver mais uma vez que o esforço das autoridades pernambucanas em investir na manutenção de sua cultura carnavalesca foi amplamente recompensado, inclusive do ponto de vista financeiro. Os inúmeros conterrâneos que foram para Recife, Olinda e outros municípios do vizinho estado e se dispuseram a ver, ou melhor, ainda, participar daquela extraordinária festa popular, certamente estão plenamente gratificados. E ninguém ligou para a chuva forte que caiu em alguns momentos, como na abertura na sexta-feira, no Marco Zero, quando Caetano Veloso amornou a festa e na noite de segunda-feira, quando o temporal tornou o Recife antigo um caos. Para compensar, os outros dias foram de puro encantamento para quem gosta do que possa existir de melhor do período momesco. No sábado de Zé Pereira, melhor dizendo e atualizando, sábado do Galo da Madrugada, este novamente foi magnífico. Como sempre chegamos cedo, passamos na estrutura de apoio na Rua da Concórdia e fomos para a concentração na Rua Imperial. Depois, foi acompanhar e brincar em cada trio elétrico que passava. Opinião unânime dos amigos (Eduardo Lyra, Osvaldo Viégas, Pedro Nelson, João Malheiros e esposas ) ali presentes: foi um dos melhores Galos dos últimos tempos. Durante o dia, era o Mercado da Boa Vista, um carnaval tradicionalmente light, onde sempre encontrávamos muitos conterrâneos (Braga Lyra e Marcial Lima, vibrando e cantando o Voltei Recife) e Olinda, que mantêm como tônica maior a descontração, a criatividade e o bom humor. No Recife antigo, a canja dos muitos shows varando a madrugada e o melhor: acompanhar os incontáveis blocos que passam. Para os antigos foliões de Olinda que não tem mais pernas (Zé Wanderley, Arnom, Marcos Vasconcelos e Júlio Bandeira) ficar babando: o bloco Acho é Pouco desfilou lá com a melhor orquestra de sua história de mais de 30 anos, além do velho dragão botando fogo pelas fuças. Entusiasmado, um conhecido professor da Ufal na volta para o hotel em Boa Viagem, lá encontrou pequena orquestra e não se fez de rogado; deu performático show de Paço no frevo delirantemente aplaudido pelos boquiabertos hóspedes. O multicultural carnaval pernambucano explodiu, como registrou Cláudio Humberto em sua coluna: 780 mil turistas e um faturamento de R$ 370 milhões. Justa recompensa pelo esforço na manutenção das suas tradições. Secretário Osvaldo Viégas, atento e vibrante folião, almeja o renascimento do nosso Carnaval; que Momo o inspire e o abençoe --- afinal só faltam 349 dias. (*) É médico e professor da Uncisal.

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