Opinião
Sem-terra e sem lei
Uma revista de circulação nacional publicou, há algumas semanas, o que se denominou ?cadernos de luta do MST?, mencionando manuscritos (cadernos, agendas e folhas soltas) apreendidos numa fazenda, em São Gabriel, no Rio Grande do Sul. A literatura trazia as ?táticas? que os soldados vermelhos deveriam usar nas ocupações, burlando, mentindo, destruindo e matando, se necessário. Os escritos mostravam uma estrutura severa, montada pelo MST, que incluía uma justiça local, com penas para quem não cumpria os ditames dos ?líderes?, sob pretexto de supostas ?unidade? e ?organização?. Mais um Estado paralelo com próprias leis e tribunais... Que garante a ?educação? de seu povo através da outorga de modelos criminais de comportamento, camuflados no ideário esquerdista da justiça para o povo... tudo registrado na cartilha da guerra, inspirada quiçá em Sun Tzu. Nessa Quarta de Cinzas, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, condenou as ações do MST, referindo-se aos casos das invasões em duas fazendas, uma em São Paulo e outra em Pernambuco, com a morte de quatro seguranças nesta última. Ele lembrou o que diz o Estatuto da Terra e a Constituição, que vedam o financiamento, com dinheiro público, a instituições que agem contra o Estado de Direito. Apimentando, o zero um do STF chamou Lula de paternalista, face à tolerância do governo federal com as atrocidades cometidas pelos sem-terra. Verdade seja dita, o MST ? e outros movimentos sociais que construíram parte da história de lutas do Brasil ? tem se perdido em suas ações, maculando sua história e revelando uma face tiranicamente abominável. Negando seu passado, o MST envereda por um caminho que sugere o nascimento das ?forças armadas revolucionárias do Brasil?, ao estilo da irmã colombiana. Isso não seria tão grave se o ímpeto do nascedouro fosse respaldado pelos ideais antigos de justiça e igualdade, e não pelo interesse de meia dúzia de oportunistas que hoje lideram o movimento e que, sob a benção de Lula, ocupam as cadeiras diretivas de alguns órgãos, numa asquerosa relação simbiótica. Parece-me que o movimento tem usado, como arma, o que combatia em seus ?inimigos?: o desrespeito à lei e a manipulação do poder. (*) É jornalista.