Opinião
Fraternidade e seguran�a p�blica, foco uno
A violência é outra forma visível da manifestação da lógica da morte no mundo. Sua raiz está na injustiça e ela se manifesta com vários nomes e vários rostos. ?Os acendedores da violência no mundo são, antes de tudo, os privilegiados que não têm coragem de abrir mão de seus privilégios injustos, criadores de injustiças e escravidões?. Em nós ela se aninha quando deixamos que os seus tentáculos fixem morada em nosso interior. No dizer de dom Hélder, é justamente a partir de uma atitude de consciência pessoal que começa nossa luta contra a violência: ?Se quisermos ajudar, de fato a salvar o mundo da violência e do caos, temos que arrancar de nosso íntimo raízes de violência que, facilmente, se infiltram em nós. Só teremos força para converter os outros, se nós mesmos formos os primeiros a nos converter, vencendo dentro de nós o egoísmo, o amor próprio, e sobretudo qualquer raiz de ódio?. Ao mesmo tempo, a indiferença e aparente familiaridade com a violência tornam-se os grandes perigos nos quais incorremos, sobretudo, nós que temos a intransferível responsabilidade de lutar e construir a paz. Dom Hélder nos desperta para a necessidade de nos questionarmos sobre nossa familiaridade com a violência: ?Tenhamos a coragem de perguntar a nós mesmos em que medida a violência praticada ao nosso lado está nos impressionando. Será que estamos sendo interiormente conquistados pela violência?? Isto nos faz questionar a propaganda execrável da violência veiculada através dos meios de comunicação, sobretudo o sensacionalismo presente nos noticiários que tratam da questão que faz da de violência o grande espetáculo macabro diante do qual todos se curvam inertes, quando não desdenham e até se alegram pelas vidas ceifadas consideradas espúrias ou não enquadradas na categoria de ?almas limpas? nossa sociedade hipócrita. Para dom Hélder, a paz da qual o cristão é artesão e construtor, é primariamente fruto da justiça, supõe e exige a instauração de uma ordem justa, na qual o ser humano se realiza como tal. Eis aí a razão de entendermos a atualidade deste homem tão de nossos dias. No alforje do missionário que é convidado a agir com o poder redentor de Jesus, a paz é o dom maior a ser oferecido e construído a partir das relações de fraternidade e hospitalidade que se transformam no terreno onde cristão, artífice da Paz, dá forma a obra que o Senhor o comissionou a construir. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.