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Os espirros subprime e a crise brasileira

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A visão da crise é catastrófica. Quando as bactérias dos espirros americanos penetram no espaço aéreo brasileiro, basta um investidor levar seus recursos para um porto seguro que os outros o seguem em debandada. E aí ficamos a ver navios, esperando que o dinheiro público cure as doenças praticadas pelo ?deus mercado?. Mas, enquanto a confiança e o crédito não se restabelecem, nossas empresas reduzem suas linhas de produção e brecam investimentos. As demissões são inevitáveis. Os reflexos dessa atitude defensiva são devastadores para a economia. Sem perspectivas, o desempregado age racionalmente, ou seja, gasta apenas o necessário para atender as suas necessidades básicas. E isso ecoa como uma sentença de morte para a cadeia produtiva, que diminui o seu ritmo. Vale dizer: mais desemprego, inadimplência e desconfiança, menos crédito. Adeus crescimento econômico. Como vimos, crédito e confiança são fundamentais para atenuar a crise, mas os gestores dos cofres públicos não estão nem aí com a boa imagem do nosso País, muito pelo contrário. A dívida pública assusta até o mais corajoso dos investidores. Porém, ao invés de incentivar estrategicamente o mercado interno, a fim de aquecer a economia, gerar empregos novos e receitas públicas pelas vias do desenvolvimento; de eliminar as despesas improdutivas; de implodir os castelos dos privilégios e da impunidade; os tais gestores preferem emitir títulos da dívida para atrair especuladores e cobrir o rombo de caixa. O descaso não pára por aí. Precisamos criar novos produtos, a fim de melhorar nossa competitividade no mercado global, mas os recursos destinados à educação, ciência e tecnologia parecem não chegar nunca ao destino. Resultado: privada de conhecimentos, a maior parte do nosso povo aprendeu apenas a arar a terra. Ainda estamos no século 17, por isso nossas exportações, basicamente de produtos primários, não estão conseguindo os dólares necessários para financiar as importações de tecnologia. Nessa economia movediça, o PIB não se sustenta, e cai. Levantam-se os marginalizados, que, com o estômago doendo, vão para as ruas lutar pela sobrevivência. Quando o investidor olha para esse quadro medieval deve pensar: ?Isso aqui é um barril de pólvora com pavio curto, fui!? É, leitor, sorte de quem pode se proteger dessa ?gripezinha? americana. Quem não pode vai ter que ficar de cama por um bom tempo. (*) É contador.

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