Opinião
Obras estruturantes
Mais uma vez, os transtornos causados pelas chuvas em Maceió reafirmam a necessidade de obras estruturantes na infraestrutura urbana da capital. Não foram exageradas as chuvas, felizmente, e as consequencias igualmente não repetiram tragédias como no passado, mas pelos estragos provocados fica evidente a fragilidade da rede de escoamento de águas pluviais e fica clara a necessidade de se investir mais neste setor como prevenção para as naturais hipóteses de precipitações pluviométricas em volumes muito maiores. Nunca é demais lembrar o sofrido e prolongado histórico das enchentes que, anualmente, deslocava levas de famílias de suas habitações na orla da Lagoa Mundaú. O triste espetáculo era aguardado como líquido e certo: todo ano, quando das chuvas mais fortes, os desabrigados eram acomodados nas instalações do Parque José da Silva Nogueira, e a ?Pecuária?, como sempre foi popularmente conhecida, cedia suas baias e manjedouras para o abrigo dos flagelados. Uma obra estruturante, realizada na virada da década de 70 para a de 80, proporcionou uma solução duradoura: a construção do Dique Estrada. Projeto ousado, representou uma concepção urbanística avançada e cidadã, contemporânea ainda hoje. Construída sobre uma elevação do tipo dique, segura, pistas largas contemplaram canteiros, ciclovias e áreas de lazer, além de reservar a margem da lagoa para a restauração da vegetação natural (manguezais). Infelizmente, esse perímetro de recuperação ecológica tem sido sucessivamente desvirtuado com a favelização dessa área (cometida sob a inação dos órgãos públicos responsáveis por ela). Nos dias em curso, seguimos devagar ? quase parando ? em termos de obras dessa natureza. Infelizmente, até a anunciada (e sonhada) urbanização do Vale do Reginaldo retomou a imobilidade.