Opinião
Pesquisa x fome
Mais um exemplo positivo comprova a imprescindibilidade da pesquisa prática, experimental, como elemento essencial para o avanço tecnológico e para o sucesso no uso da ciência como ferramenta de inserção social. Divulgado nos Estados Unidos, os resultados de um experimento agrícola, informa do ?desenvolvimento de uma variedade de alto rendimento do gandul (ervilha), que pode ser cultivada em terras marginais e é altamente resistente às secas?. O que isso tem a ver com os brasileiros? Muito, pois, como informado, a pesquisa ateve-se a experimentações de variedades agrícolas (alimentos para humanos) ricas produzidas em solos ?marginais? (temos muitos) e ?altamente resistente às secas? (temos demais no Nordeste). Destaca-se que a variedade de ervilha em tela (também chamada de guandul e/ou guandu e/ou feijão de pau), é uma leguminosa híbrida rica em proteínas e hoje, ainda em sua fase de cultivo inicial, é responsável pelo fornecimento de 22% de toda proteína disponível nos mercados da maioria dos países onde é plantada de forma extensiva (Índia, Leste e Sul da África, Caribe e Birmânia). O sucesso dessas pesquisas, financiadas pelo Banco Mundial e pela Fundação Bill & Melinda Gates, deveria ser amplamente divulgado como incentivo a esforços semelhantes pelo mundo e, especialmente, em países como o Brasil (onde, tempos atrás, a pesquisa de extensão rural proporcionou significativos avanços para a atividade agrícola). Na verdade, estamos falando da busca de produtos transgênicos através de métodos naturais associados à tecnologia de ponta. Descartando os preconceitos e valorizando os conceitos científicos e técnicos, com razoável investimento e muito esforço, o Brasil poderia dar um enorme salto neste campo, multiplicando nossa capacidade agrícola e explorando solos hoje tidos como improdutivos.