Opinião
Ecos do carnaval
Havia cinco anos, não saíamos de Maceió no período carnavalesco. Nesse fevereiro, o marketing inteligente do governo de Pernambuco nos motivou a fazer um périplo por aquele Estado. A peça institucional a que nos referimos, enfatizava o frevo, mas não esquecia os papangus, a bicharada, os bonecões, os caiporas, os maracatus, os caboclinhos e outras manifestações que marcam a especificidade de cada município. Constatamos as diversas localidades firmando suas subjetividades, gerando renda, elevando a autoestima, fortalecendo o sentido de pertencimento de seus moradores. Apaixonado por Maceió ou, mais que isso, sentindo-me, enquanto cidadão, também responsável pelo seu desenvolvimento ? embora ciente dos processos históricos diferenciados ? não podemos deixar de fazer um paralelo, partindo da realidade vivenciada. Os estudiosos de nossa cultura popular tradicional mostram que são múltiplos nossos folguedos carnavalescos, porém, quase sempre, à míngua. Indo à história, lembramos nossos animados carnavais. Ou mais, sem vaidade narcísica, não tememos em afirmar que o Pinto da Madrugada vem provando que existia um vácuo, todo um potencial latente que, por falta de canais, vinha deixando de se expressar. O Pinto, os bailes, os blocos que ressurgem, o Jaraguá Folia, são provas irrefutáveis de que temos uma alma carnavalesca, onde o frevo e as marchinhas motivam milhares de pessoas a uma grande comunhão festiva. São provas de que, quando a idéia é boa, a comunidade responde positivamente, pulsa junto. Enquanto maceioense razoavelmente capaz de entender os processos socioculturais, medianamente conhecedor das limitações dos centros de decisão, onde os verbos saber, querer e poder fazer se defrontam, não podemos deixar de perguntar sobre a consistência das pesquisas que fundamentam a afirmativa de que os turistas procuram Maceió para descansar e que as prévias são nosso destino. Admitimos que nossos visitantes não têm apetite para a espetacularização carioca, para a efervescência pernambucana, para a danação soteropolitana, mas não tememos afirmar que não é bem um retiro que eles procuram. Além do mais, de que prévias falamos? Prévia significa que algo vem depois. Conveniente, ainda, percebermos que ao deixarmos de pensar num carnaval para a população local, estamos ignorando a importância do lazer na vida de uma cidade, estamos minimizando a importância da cultura na vida de um povo. Voltaremos ao assunto.. (*) É professor.