Estudo
Superar a ignorância
O livro “Ignorância, uma história global”, de Peter Burke, nos traz um estudo aprofundado através dos tempos, mostrando que cada indivíduo é uma combinação de conhecimentos e ignorância, sendo esta, portanto, um assunto de interesse geral, cada vez mais estudado.
No passado, uma das principais razões para a ignorância dos indivíduos era que muito pouca informação circulava na sociedade. Existe uma longa tradição, começando com Santo Agostinho, que criticou a “curiosidade vazia”, deixando implícito que certo tipo de ignorância é uma opção mais sábia. O clero do início da era moderna, fosse católico ou protestante, era usualmente hostil à curiosidade, tratando-a como um pecado, geralmente venial, mas, às vezes, mortal.
Quando Kant usou a frase “Ouso saber” (sapere aude) como lema do iluminismo, estava reagindo contra recomendação bíblica que dizia: “Não pretenda saber o que é superior, apenas tema” (noli altum sapere, sed time). Alexandre Pope fez o vaticínio, ainda hoje reverberado: “Não pretenda conhecer a Deus”.
Alguns argumentos seculares complementaram os argumentos religiosos. Michel de Montaigne sugeriu que a ignorância era uma receita melhor do que a curiosidade. O filósofo naturalista Henry Thoreau desejava fundar uma ‘Sociedade para Difusão da Ignorância Útil ‘como complemento à já existente ‘Sociedade para Difusão do Conhecimento Útil’. Pouca informação circulava, além dos entraves promovidos por aqueles que intencionavam manter a sociedade ignorante.
Joalheiria é alvo de assalto em plena luz do dia em Teotônio Vilela
Prefeitura remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara
Operação prende suspeito de tráfico de drogas em Arapiraca
Polícia inicia 6ª fase da Operação Cerco Fechado
Ação da Semsc remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara
Hoje, paradoxalmente, a abundância do material circulante se tornou um problema que é conhecido como “sobrecarga de informação”. Os indivíduos experimentam um dilúvio de informações e muitas vezes não conseguem (ou não querem) selecionar o que querem ou aquilo de que precisam, uma condição que é também conhecida como “falha do filtro”. Como consequência disso, nossa assim chamada ‘Era da Informação’ permite a difusão da ignorância tanto quanto a do conhecimento.
Tivemos um exemplo catastrófico dessa assertiva durante a pandemia, com o negacionismo às vacinas e às medidas de distanciamento social, e na atualidade, com grupos de WhatsApp disseminando mentiras 24 horas por dia, além do Deep Fake, artefato cujos limites são inimagináveis. Pior ainda, uma parcela da sociedade nutre-se, espontânea e sofregamente, da desinformação.
A seleção da informação, portanto, torna-se fundamental, e o livro se mantém como sentinela do conhecimento para o enfrentamento da ignorância. Dois acontecimentos enriquecem Alagoas na atualidade: a 11a Bienal do Livro da Ufal, para onde os pais devem levar seus filhos para se iniciarem nesse mundo fascinante, e o recentemente lançado livro “Direito, Democracia e Linguagem.
Estudos em Homenagem ao Professor Dilmar Camerino”. Obra de fôlego escrita por um grupo seleto de luminares do direito que admiram o ex-procurador de Justiça do Ministério Público do Estado e confrade do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. Como Khalil Gilbran escreveu, “o livro é como uma janela. Quem não o lê é como alguém que ficou distante da janela e só pode ver uma pequena paisagem”.