loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sábado, 25/07/2026 | Ano | Nº 6275
Maceió, AL
26° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Estudo

Superar a ignorância

Ouvir
Compartilhar

O livro “Ignorância, uma história global”, de Peter Burke, nos traz um estudo aprofundado através dos tempos, mostrando que cada indivíduo é uma combinação de conhecimentos e ignorância, sendo esta, portanto, um assunto de interesse geral, cada vez mais estudado.

No passado, uma das principais razões para a ignorância dos indivíduos era que muito pouca informação circulava na sociedade. Existe uma longa tradição, começando com Santo Agostinho, que criticou a “curiosidade vazia”, deixando implícito que certo tipo de ignorância é uma opção mais sábia. O clero do início da era moderna, fosse católico ou protestante, era usualmente hostil à curiosidade, tratando-a como um pecado, geralmente venial, mas, às vezes, mortal.

Quando Kant usou a frase “Ouso saber” (sapere aude) como lema do iluminismo, estava reagindo contra recomendação bíblica que dizia: “Não pretenda saber o que é superior, apenas tema” (noli altum sapere, sed time). Alexandre Pope fez o vaticínio, ainda hoje reverberado: “Não pretenda conhecer a Deus”.

Alguns argumentos seculares complementaram os argumentos religiosos. Michel de Montaigne sugeriu que a ignorância era uma receita melhor do que a curiosidade. O filósofo naturalista Henry Thoreau desejava fundar uma ‘Sociedade para Difusão da Ignorância Útil ‘como complemento à já existente ‘Sociedade para Difusão do Conhecimento Útil’. Pouca informação circulava, além dos entraves promovidos por aqueles que intencionavam manter a sociedade ignorante.

Shorts Youtube
Play
Joalheiria é alvo de assalto em plena luz do dia em Teotônio Vilela

Joalheiria é alvo de assalto em plena luz do dia em Teotônio Vilela

Play
Prefeitura remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Prefeitura remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Play
Operação prende suspeito de tráfico de drogas em Arapiraca

Operação prende suspeito de tráfico de drogas em Arapiraca

Play
Polícia inicia 6ª fase da Operação Cerco Fechado

Polícia inicia 6ª fase da Operação Cerco Fechado

Play
Ação da Semsc remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Ação da Semsc remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Hoje, paradoxalmente, a abundância do material circulante se tornou um problema que é conhecido como “sobrecarga de informação”. Os indivíduos experimentam um dilúvio de informações e muitas vezes não conseguem (ou não querem) selecionar o que querem ou aquilo de que precisam, uma condição que é também conhecida como “falha do filtro”. Como consequência disso, nossa assim chamada ‘Era da Informação’ permite a difusão da ignorância tanto quanto a do conhecimento.

Tivemos um exemplo catastrófico dessa assertiva durante a pandemia, com o negacionismo às vacinas e às medidas de distanciamento social, e na atualidade, com grupos de WhatsApp disseminando mentiras 24 horas por dia, além do Deep Fake, artefato cujos limites são inimagináveis. Pior ainda, uma parcela da sociedade nutre-se, espontânea e sofregamente, da desinformação.

A seleção da informação, portanto, torna-se fundamental, e o livro se mantém como sentinela do conhecimento para o enfrentamento da ignorância. Dois acontecimentos enriquecem Alagoas na atualidade: a 11a Bienal do Livro da Ufal, para onde os pais devem levar seus filhos para se iniciarem nesse mundo fascinante, e o recentemente lançado livro “Direito, Democracia e Linguagem.

Estudos em Homenagem ao Professor Dilmar Camerino”. Obra de fôlego escrita por um grupo seleto de luminares do direito que admiram o ex-procurador de Justiça do Ministério Público do Estado e confrade do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. Como Khalil Gilbran escreveu, “o livro é como uma janela. Quem não o lê é como alguém que ficou distante da janela e só pode ver uma pequena paisagem”.

Relacionadas