Opinião
Um dinheiro verde
Em decisão tomada na quinta-feira, anteontem, o Banco Mundial (Bird) aprovou um megaempréstimo destinado ao financiamento de projetos ambientais desenvolvidos no Brasil. Considerado o mais expressivo montante de crédito já disponibilizado pelo Bird ao Brasil, o pacote de dinheiro contém nada mais nada menos que R$ 1,3 bilhão. Os recursos deverão ser utilizados para projetos em manejo florestal, energias renováveis e preservação dos recursos hídricos. Tão extenso quanto a cifra é o nome do programa: ?Empréstimo Programático de Políticas de Desenvolvimento em Gestão Ambiental Sustentável? e segundo a mídia especializada ?foi negociado entre o banco e equipes das áreas econômica e ambiental do governo e será dividido em duas etapas?, e informam mais: ?O desmatamento da Amazônia, a falta de proteção ao que restou do bioma Mata Atlântica e questões relacionadas à qualidade e disponibilidade da água deverão ser os principais focos de investimentos, de acordo com o Banco Mundial?. Não está muito claro se tais recursos poderão ser repassados em empreendimentos privados capazes de arcar com os prejuízos (e consequentes juros) no caso de projetos insustentáveis, o que deixa no ar a hipótese de tal bolada ser de inteira responsabilidade da União (como os empréstimos usuais de instituições como o Bird, exclusivamente voltados para os governos). Daí a preocupação: terão resultados práticos esses projetos? A fiscalização da aplicação desses recursos será rigorosa, ou o erário responderá por financiamentos irregulares de propriedades privadas? (lembrem-se do caso da restauração da sede histórica da Prefeitura de Maceió). São bem-vindos os recursos verdes do Bird; mas para que os cofres públicos, ao fim e ao cabo, não fiquem vermelhos, é-se indispensável atenção redobrada à licitude e sustentabilidade dos projetos.