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Opinião

Sempre as mulheres

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Ela era uma mulher pequenina e magricela, mas era uma gigante na profissão que abraçou e na faina da vida. Formada em Medicina no distante ano de 1926, quando o conceito geral ainda era que mulher deveria cuidar somente da casa e dos filhos, Nise da Silveira era apenas uma entre 157 homens, na veneranda faculdade da Bahia. Depois especializou-se em psiquiatria e balançou os alicerces desta especialidade na então capital federal, o Rio de Janeiro. Rejeitou a prática consagrada de então, que preconizava tratamentos desumanos para os esquizofrênicos e enfrentou os luminares contemporâneos que não aceitavam o seu receituário, que preconizava a afetividade como base de relacionamento com os alienados. Também por suas convicções sociais humanisticamente sólidas, esteve presa junto com outros expoentes do pensamento libertário, como seu conterrâneo Graciliano Ramos. Na detenção, foi o sustentáculo para que muitos dos detentos não sucumbissem ao desânimo, à depressão. A referência a Nise da Silveira, lembrando ainda o seu centenário de nascimento, de autoria do lúmen tutelar José Medeiros, se encontra no primeiro número do Boletim do Núcleo Alagoano de História de Medicina, gentilmente ofertado pelo estimado colega Agatângelo Vasconcelos, também psiquiatra e homem de letras, que mantém junto com Isaac Soares um vibrante curso de História da Medicina na Uncisal. O boletim traz ainda contribuições dos médicos Ângela Canuto, Emanoel Fortes, Fernando Gomes, Heider Lisboa, Jorge Luis Soares e Márcia Monteiro. Nise da Silveira destacou-se por seu valor e inteligência. Sobre a mulher, eterno e indecifrável enigma, muitos a tentaram decifrar, como Conevtry Patmore: ?Uma mulher é um país estrangeiro,/Do qual, embora nele se fixe cedo,/Um homem nunca compreenderá completamente/Os costumes, a política e a língua?. Afinal, o que passa por suas cabeças? Isadora Duncan afirmava: ?Os pensamentos das mulheres originam-se no abdome e dirigem-se para cima, ao passo que os pensamentos dos homens originam-se na cabeça e dirigem-se para baixo?. Rendo-me vencido ao indecifrável que Antônio Machado assim definiu: ?No oceano da mulher/poucos naufragam à noite; /muitos, ao amanhecer?. E, submisso, resta-me reconhecer que vim ao mundo pelo ventre de uma delas, o ser mais dócil e carinhoso que já existiu, vivo meus melhores momentos com uma outra, pelos braços de quem, espero sair deste mundo. (*) É médico e professor da Uncisal.

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