Opinião
A data feminina
8 de março. Mais um Dia Internacional da Mulher. Festejemos hoje, mas não nos esqueçamos de que o dia dos diretos das mulheres deve ser todo dia, o dia todo. Nos tempos correntes vivemos dias de contradição, onde os avanços conquistados não livram a humanidade da vigência de posturas retrógradas, pois em vários locais do mundo, em pleno século 21, mulheres correm risco de serem condenadas ao apedrejamento, a mutilações ritualísticas ou a excomungações (em função de interpretações machistas e canhestras de textos sagrados). Há mesmo quem considere o estupro um ?crime menor?. Há quem considere tais violências contra as mulheres fatos isolados, resquícios desumanos numa globalidade majoritariamente humanista, cidadã. Oxalá estejam certos. De fato, os avanços são inegáveis, mas muito ainda se tem que avançar para um real equilíbrio entre os gêneros. Pelos estudos de uma entidade chamada Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), ?há somente 17,2% de mulheres legisladoras no mundo e 19,5% nas Américas. Segundo a ONU, no atual ritmo, a igualdade de participação entre os sexos em casas legislativas só será concretizada em 100 anos?. Segundo o Cfemea, ?o Brasil, com 8,7% de deputadas federais, está em 146° num ranking de 192 países e em penúltimo [lugar] na América do Sul?. Nas eleições 2008, ?apesar de serem maioria do eleitorado, as mulheres foram minoria das candidaturas (21,36% dos 377.733 postulantes). Também foram minoria dentre os eleitos: 6.508 vereadoras (12,52%) e 504 prefeitas (9,07%). Um avanço, sem dúvida, considerando o passado; mas esses números ainda díspares nos chamam a atenção para o tanto que ainda temos de avançar, homens e mulheres, para a conquista de sociedades mais equânimes entre os gêneros. Por hoje, pelo amanhã, festejemos o 8 de março de 2009: viva o Dia Internacional da Mulher!