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Opinião

Fraternidade e seguran�a p�blica: a paz � fruto da justi�a

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?A Quaresma nos convida a lutar sem esmorecimento para fazer o bem precisamente por sabermos como é difícil que nós, os homens, nos decidamos seriamente a praticar a justiça ? e ainda falta muito para que a convivência se inspire na paz e no amor, e não no ódio ou na indiferença. Não ignoramos também que, embora se consiga atingir uma razoável distribuição dos bens e uma harmoniosa organização da sociedade, jamais desaparecerá a dor da doença, da incompreensão ou da solidão, da morte das pessoas que amamos, da experiência das nossas limitações. Nosso Senhor abomina as injustiças e condena quem as comete. Mas respeita a liberdade de cada indivíduo e por isso permite que elas existam, pois fazem parte da condição humana, após o pecado original. Contudo, seu coração cheio de amor pelos homens levou-o a carregar, juntamente com a cruz, todos esses tormentos: o nosso sofrimento, a nossa tristeza, a nossa fome e sede de justiça. Vamos pedir-lhe que saibamos testemunhar os sentimentos de paz e de reconciliação que o inspiraram no Sermão da Montanha, para alcançar a eterna bem-aventurança? (Mensagem do Papa Bento XVI por ocasião do início da Campanha da Fraternidade de 2009). Com estas palavras tão bem expressas, o Papa coloca o tema da CF de 2009, dentro do contexto da Quaresma, conclamando toda a Igreja a um verdadeiro estado de conversão. A paz da qual Cristo é arauto e príncipe, é fruto incondicional da justiça, e supõe necessariamente a instauração de uma ordem justa. Isto significa: dignidade do ser humano respeitada e assegurada, suas justas aspirações satisfeitas, acesso à verdade e à liberdade. Esta paz redentora é o conteúdo e o cerne da missão dos seguidores e seguidoras de Jesus Cristo. O tema deste ano de 2009, da Campanha da Fraternidade, toca de cheio o problema das políticas públicas nas áreas de educação, saúde, moradia, lazer, cultura, etc. Estamos cada vez mais constatando a ausência do Estado nestas políticas de base, é uma ausência tão sentida, que chegamos a entendê-la como uma verdadeira omissão. Onde o Estado de Direito se omite, a impunidade assume o vazio. Assim acontecendo, a violência vai dando as normas e a paz vai cada vez mais sendo banida de nossas cidades e de nossas comunidades. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.

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