Opinião
H� 30 anos surgia a senhora Thatcher
E, passados 18 anos da queda da Dama de Ferro, os infalíveis caçadores de efemérides ? que não têm bandeira, mas como bons oportunistas procuram servir às expectativas do momento ? hesitam sobre o tom dos registros e celebrações. Devem amaldiçoá-la, acusando-a de haver ajudados a acender a fogueirinha da crise econômica que hoje incendeia o mundo? Ou vale a pena lembrá-la, menos por seu ultraliberalismo desestatizante do que pelo seu estilo firme, corajoso e decidido de enfrentar a realidade, desafiando as contingências? Como não me cabe decidir, recolho a invocação de Margaret Thatcher para discutir o estilo de fazer política, afirmativo e centrado em convicções bem definidas, com que ela marcou seus 10 anos como primeira ministra da Grã Bretanha. A segunda metade do século 20, quando ela cumpriu toda a sua história política, favorecia a liderança de políticos realistas que perseguiam objetivos bem definidos e os alcançaram, para desespero dos arrivistas, que se perderam, e dos radicais, que se esgotaram. Ou cansaram os que os seguiam por motivações ideológicas. É justamente por aí, por sua conduta, que Margaret Thatcher me interessa como modelo de liderança. Não me encanta sua política social, mas gosto do método, do enfrentamento dos problemas, da coragem de fazer opções e da obstinação em perseguir resultados. Embora citem seu destemor como guerreira ? por causa da Guerra da Malvinas e dos enfretamentos na Irlanda ? ou na defesa dos interesses britânicos na Europa ? prefiro sua disposição para enfrentar os oponentes internos e as mobilizações contra seus projetos de mudança, com os quais negociou e, quando foi o caso, desafiou e venceu. Quem sabe o que quer e para onde vai, e se recusa a tergiversar, exerce o poder democrático com mais eficiência e pureza do que aqueles que, através de composições covardes, perdem o rumo e renegam seus mandatos. Somos bem diferentes da Inglaterra, mas insisto que as experiências de estadistas como a de Margaret Thatcher são enriquecedoras para quem faz política no Brasil e persegue padrões de austeridade, eficiência e renovação. Seus 10 anos de governo foram uma corrida diuturna para realizar uma administração que não negligenciou nenhum aspecto das suas responsabilidades. Margaret Thatcher e seu governo constituem, hoje, uma referência histórica, onde pode se encontrar inspiração e lições para não repetir erros. (*) É senadora e presidente da CNA.