loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

M�rbidas estrelas

Ouvir
Compartilhar

Estamos cientes da anormalidade do fato, mas já não nos causa o devido estranhamento a notícia do jovem que resolve viver seu grande dia de mórbido estrelismo, no geral, o último de sua vida. Invadindo escolas ou creches, ao acaso da sorte e pontaria, vitimam a tantos quantos estejam na mira de suas incontidas armas ou se limitam à descarga completa de seus arsenais. Em uso ardiloso de suas perturbadas maquinações mentais, esses ?astros patológicos? incorporam ídolos virtuais, apreendidos dos simulacros digitais de acesso livre, ou repetem, por pura imitação, o ato de predecessores reais que conseguiram a imortalidade memorial, ainda que repugnante, ao executarem suas chacinas alheiamente desmotivadas. A cidade de Winnenden, na Alemanha, foi palco de mais um desses espetáculos de terror. Ela lançou, no rol das lembranças indesejáveis e dos porquês irrespondíveis, o jovem Tim K. de imaturos 17 anos. Com uniforme militar, ele invadiu a escola da qual foi expulso (por ter forjado um atestado médico) e lesionou fatalmente duas dezenas, dos quase mil alvos vivos que tinha à sua frente na hora da assombrosa cena. Parece até a enésima parte de filme, de uma sequência trash, cujo campeão de bilheteria foi o ?Massacre de Virgínia Tech?, estrelado e dirigido pelo estudante sul-coreano Cho Seung-Hui que matou, assemelhadamente, 32 pessoas em abril de 2007 nos EUA. Rubricando sua carta de apresentação ao mundo com o sangue de outrem e com o próprio (no gran finale, matam-se ou são mortos), é como se dissessem: ?Vocês fingiram não me ver. Mas estou aqui! Esse é meu espetáculo e meu elenco: seus filhos, pais, amigos... Meras vítimas coadjuvantes da minha história que ?começa e termina? hoje?. Certamente, a Psicologia cumprirá seu ofício de sondar e diagnosticar que enfermidade da psique acomete esses jovens que, numa fração de segundos, vão do completo anonimato (ou esquecimento) ao total antisucesso popular, cujo índice é mensurado pelas coberturas da mídia. Contudo, em sua maioria, tais inesperados atores (um pode ser o seu filho) dão sinais, por ação ou omissão, do que pretendem encenar. Mas, estamos tão ocupados com o frenesi dos tempos atuais que não há tempo para acompanhar e, se necessário, censurar essa ou aquela cena, ou a obra no total. Não se trata de culpar os pais, mas de alertá-los. Para que não sejam surpreendidos, amargamente, ao verem suas crias recebendo, in memoriam, um pesado e funesto Oscar na categoria ?pior atuação?. (*) É jornalista.

Relacionadas