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Opinião

De marolas e gols hist�ricos

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Ronaldo está de volta. Ainda gordo, mas com muita disposição. O gol histórico pelo Corinthians paulista lavou a alma do torcedor. Enquanto isso... No início era só uma marolinha que não dava nem para surfar, conforme repetição gaiata do chefe da Nação. Por essa leitura, a crise era dos gringos, ?do país do Bush? e dos seus aliados ricos. Assalariados, escutávamos essas declarações, buscávamos a opinião de economistas e outros curiosos de plantão e terminávamos convencidos da ?blindagem? da nossa economia. Aliás, meus gurus da esquerda eram unânimes em exaltar a pujança do Brasil, da Índia e da China, provando por a + b os porquês de posição tão privilegiada. Na enxurrada, a palidez cadavérica de Mantega foi substituída por lindo dourado de sol. Por cima da carne seca, Lula enchia a boca trombeteando aos quatro cantos que nossa reserva era de 200 bilhões de dólares, segundo ele, ?dólar pra caramba?, passaporte financeiro bastante para atravessar os prenunciados ?7 anos de fome?. Pródigo, de olho nas eleições de 2010, obcecado pela consagração de Dilma Rousseff, o governo propôs ampliar ainda mais o Bolsa Família para alguns milhões de eleitores. Empregos, trabalhos, nem pensar. Aqui, ali e acolá, vozes solitárias (?aves agourentas?) discordavam da postura laissez-faire governamental. Os mais eruditos buscavam espelhos históricos no malfadado Baile da Ilha Fiscal, último suspiro do decadente império brasileiro. Dezembro trouxe as luzes do Natal e com elas as manjadas metáforas e analogias presidenciais. Numa dessas, comparou-se ao médicos: otimistas mesmo diante de doentes graves... A própria Dilma, peregrina da fé inquebrantável nas reservas da nação, aproveitando as férias, repaginaria o visual: um trato na carranca adoçaria as feições e ressurgiria quase bela. Só a voz continuaria a mesma. Chegou o carnaval. Embalados pela fala de governantes e áulicos, entre nós, o Pinto nunca foi tão grande. Em Recife, um milhão saracotearam sob o som de Vassourinhas, enquanto Rousseff e o casal Lula/Marisa davam o ar da graça em Salvador e Rio de Janeiro. O desbunde foi geral. Finalmente, o punhal da decepção. Que blindagem, que nada! A crise é pior entre nós do que no país de origem. A ironia fica por conta do jogador Ronaldo. Desacreditado, enxovalhado, envolvido em gorduras e escândalos, o seu retorno glorioso (fugaz?), nos remete a desprezados valores como determinação e talento. (*) É médico e professor da Ufal.

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