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Opinião

A triste hist�ria de Assembleia

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Há muitos anos, nasciam no Brasil algumas donzelas da melhor estirpe. E por conta dessas mágicas que somente os contos de fada têm o condão de operar, vieram à luz uma em cada Estado da Federação, ao mesmo tempo e todas recebendo o mesmo nome de batismo: Assembleia. A fêmea que as pariu, nessas circunstâncias tão inusitadas quanto espetaculosas, chamava-se Constituição. Como o das demais, o parto da nossa, de Alagoas, foi recebido com muita alegria e expectativa, de sorte que prontamente lhe foram confeccionadas as mais belas vestes ? um vistoso e majestático prédio no centro da capital, Maceió ?, ainda hoje mantidas em estado digno e glamoroso. Mas se mal ou bem permaneceram íntegras ou, quando em vez, restauradas ? embora se comente que o processo último de restauração das majestáticas vestes foi mais custoso do que o normal, nele recaindo suspeitas de superfaturamento, essas coisas ?, assim não se pode dizer da própria. Ao menos não da Assembleia dos seus primeiros tempos de mocidade e vida adulta, quando até, em homenagem a um de seus filhos muito queridos e ilustres, fora apelidada Casa de Tavares Bastos. Honraria imensa. Mas Assembleia parece não vir se comportando com o decoro e a dignidade que dela se esperava e cria. Corre pelo Estado as histórias mais escabrosas a seu respeito. E dizem que não são futricas, meras maledicências sopradas ao vento pelas fuxiqueiras de plantão, não. A coisa seria séria, mesmo. Fala-se que teria desviado (surrupiado, em bom português) cerca de trezentos milhões de reais daqueles a quem devia representar e defender! Imagina, só! Bem, o fato é que de lá pra cá Assembleia, se não tem encontrado paz ? dizem que o Judiciário, um primo próximo, vem perseguindo-a implacavelmente ?, tampouco se mostra ao menos arrependida dos desarranjos que lhe são imputados. Ao contrário. Com a ajuda de outro primo, Executivo ? que injustificadamente permanece enviando-lhe vultosa quantia anual a título duodécimo (nome que é dado a sua mesada) ?, Assembleia segue a vida, alheia a tudo e a todos. Sua mais recente atitude, tão inusitada quanto ilegal e perigosa, foi a de cerrar as portas ? uma espécie de greve ou coisa parecida, já que nela ninguém entra, dela ninguém sai ? sem atinar que, por isto mesmo, poderá restar cabalmente demonstrada, infelizmente, a sua atual absoluta falta de serventia. Enfim, um tiro no próprio pé (ops, pilastra). E isto não é bom. Oh, Assembleia! Cria juízo, mulher! (*) É advogado (www.blogdoandrefalcao.com).

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