Opinião
Crise e munic�pios
Tem toda razão de ser o alerta da Associação dos Municípios Alagoanos, chamando a atenção para as crescentes dificuldades de caixa e da galopante dependência das administrações municipais em relação aos repasses federais. Poder-se-ia argumentar que ?sempre foi assim?, mas se, por um lado essa realidade efetivamente não é nova, as condições reais da economia passam por uma nova fase, onde se somam às mudanças implementadas pelo chamada orientação neoliberal se somam, nos dias em curso, às duras consequências da crise mundial. Os menos avisados poderão duvidar da chegada dos efeitos da crise global contemporânea até os confins alagoanos ? afinal, poderiam supor os de exagerada fé, o que tem a ver a quebradeira no primeiro mundo com um povoado de meia dúzia de vielas, perdido nesses rincões nordestinos, lugares onde o terceiromundismo montou morada de forma aparentemente definitiva? Tem a ver com a segunda parte do alerta do presidente da AMA, ou seja, como os municípios dependem radicalmente dos repasses federais, terão pela frente muito mais dificuldades em função da ululante tendência de reduções dos valores repassados por Brasília, como resultado da diminuição de receitas ocasionadas pela crise global, que ? como já se sente ? nos é maior que uma marolinha. E, como diz a AMA, sem vigor econômico próprio, como enfrentar essa onda de redução de dinheiros disponíveis? Não adianta apelar para uma maior generosidade do governo federal, pois é indiscutível a realidade de crise e a evidência de redução dos montantes arrecadados pelo erário da União. Buscar, desde ontem, soluções alternativas (quais?) é o único caminho. E como não existe solução mágica, o melhor e ampliar os debates, convocar a sociedade, propor parcerias em todos os níveis. Acendeu-se o sinal vermelho.