Opinião
Dom H�lder C�mara e o Conc�lio Vaticano 2
Tenho reservado estes dias da Quaresma e os dias da Campanha da Fraternidade 2009, para inseri-los no ano do Centenário de nascimento de dom Hélder Câmara. O meu desejo é o de demonstrar a atualidade da visão helderiana passada nos corredores de Concílio Vaticano 2 e difundida em toda a Igreja Católica nos umbrais do novo milênio! Qual é o mundo que este grande profeta, vindo de terras cearenses e nordestinas, levou para este grande Concílio? O que ia sendo tecido por meio de suas palavras e intuições, ainda hoje tão atuais? A Igreja, diz ele, ?é presença no esforço do homem para humanizar o mundo (...) Humanizar o mundo é tirar de toda a criação os sinais do pecado, para que o homem atinja sua dimensão mais profunda: ?sede perfeitos, como o Pai é perfeito?.? A humanização passa necessariamente pela defesa corajosa da vida e pela recuperação da dignidade do ser humano. Esta, no dizer de dom Hélder, é uma ação urgente da Igreja de todos os tempos. ?Chegou a hora de o Povo de Deus em áreas subdesenvolvidas, atirar-se de cheio à batalha do desenvolvimento dos filhos de Deus reduzidos, por uma sub-vida, a sub-homens?. A consciência dos pecados sociais e estruturais provocadores do espiral de morte em nossa cultura e em nossa sociedade, é ponto de partida para a ação profética da Igreja em defesa da vida, responsabilidade inadiável e intransferível que envolve todo o Povo de Deus, na diversidade de sua presença e ação no mundo. O grito em favor da vida começa quando a vida começa. Recuperar a consciência da sublime missão da maternidade e da paternidade na geração de uma nova vida, é descobrir o singular espaço que ocupa o ser humano na ordem da criação e sua responsabilidade de gerador e custódio da vida. Eis aí a grande percepção de dom Hélder pelos problemas da geração e da natalidade, diante do grande problema da manipulação da vida em todos os setores. Ele levou para o centro da discursão conciliar as dores dos povos pobres e todas as dores do ser humano. O caminho seguido e proposto pelo Concílio Vaticano 2, soube fazer suas ?as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angustias dos homens e mulheres de hoje, sobretudo dos pobres e dos que sofrem...?, como as alegrias, as dores e as esperanças dos filhos e filhas da Igreja de Cristo. Não há dor no mundo que não atinja o coração de Cristo no seu desejo de salvação. Nada escapa da ação salvadora e da infinita misericórdia de nosso Deus. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.