Opinião
Rastros do imp�rio
A. SÉRGIO BARROSO * Os Estados Unidos da América chancelaram o impulso de sua industrialização quando o Norte (progressista) derrotou o Sul (escravista) na guerra de 1861-1865. No fim dos XIX, ultrapassavam a economia imperial britânica, transformando-se (1913-1914) na maior economia do mundo. Com efeito, no início da 1ª Guerra Mundial, os EUA alcançaram 1/3 da produção mundial, produzindo, por exemplo, 455 milhões de toneladas de carvão (Inglaterra, 292 milhões); eram o maior produtor de petróleo, o maior consumidor de cobre do planeta e sua produção de ferro-gusa superior à da Grã-Bretanha, França e Alemanha somadas, sendo a do aço igual a desses três países. Por isso também sofreram maior impacto na Grande Depressão (1929), quando abarcavam 42% da produção mundial total. Assim, a produção de automóveis americana caiu em 50%, enquanto sua taxa de desemprego atingiu 27%. Na ?grande catástrofe? - detonada pelo colapso de Wall Street -, enovelaram-se (já então) superprodução e especulação. O fato é que somente no interregno (1941-45) da carnificina da 2ª Guerra Mundial, os EUA se recuperaram, obtendo altas taxas de crescimento, à medida que a economia engrenava na máquina bélica. Assentados no vasto mercado interno, construíram, depois, um diversificado sistema de crédito e profundo mercado financeiro. Para enfrentar o ?novo mundo? bipolar (URSS, Leste europeu, depois China e a divisão da Coréia), os EUA exerceram uma inédita hegemonia, desenvolvendo, a partir de Bretton-Woods (1944), e do Plano Marshall (1947), instrumentos para seu domínio na hierarquia do poder mundial: moeda, tecnologia e armas. Mas a corrosão de suas bases de comando, em meados dos anos 60, com seu enfraquecimento econômico relativo ? notadamente para Japão, Alemanha, mas também para a URSS, bem como a considerável diminuição de seu controle político-militar de uma Europa dividida ? têm desfecho na crise capitalista dos anos 70, que, em seus principais fundamentos, prossegue aos nossos dias. No terreno geopolítico, quadro completamente alterado com o colapso do socialismo do leste e da URSS (1989-91). Comparando-se à chamada ?era de ouro? do capitalismo central (1945-73), apenas entre 1992-2000, os EUA obtiveram taxas médias de crescimento em cerca de 5% - nos 90 na Europa, medíocres 2% médios e piora desde então. E o crescimento norte-americano daquele período está aí para todo mundo ver: expansão financeira baseada numa corrida por ações superinfladas, por sua vez ?coladas? numa explosão valorativa da economia das Novas Tecnologias da Informação e Telecomunicações - que desaba a partir de 1999. Discute-se agora o rombo no balanço de pagamentos norte-americano e a ?derrocada? do dólar. Mas o dólar é ainda moeda-reserva universal, emite-se; e um manejo na política monetária dos EUA (taxa de juros), junto à imposição imperial da coordenação das taxas de câmbio, através do G-7, poderão criar uma crise de graves proporções na Ásia, na América Latina e reafirmará a vergonhosa subalternidade da Europa. Como tudo na vida, com contradições, é obvio. Exemplo: a paridade dólar/euro corrói as exportações européias! Os EUA? Como hegemonia quer dizer moeda, tecnologia e armas ? ou riqueza, destroços e cadáveres - o governo belicista de G.W. Bush atualmente planeja é invadir o Iraque. (*) É MÉDICO E SINDICALISTA