Opinião
N�poles e seus encantos
Cheguei bastante cansada do passeio de ônibus a Roma. Da outra vez que estive de navio em Civitaveccchia fui à capital italiana de trem. Gastei apenas uma hora. De ônibus enfada bastante, mas devo estar disposta para o balé que vai acontecer no teatro depois do jantar. Tenho encontrado muitos brasileiros trabalhando no navio. Disseram-me ser 27 ao todo. Uma jovem compatriota nos serve à mesa junto com um filipino. Meus companheiros no jantar são dois simpáticos portugueses. Almoço, geralmente, no buffet que tem um menu mais variado. Às vezes vou ao restaurante Porto Fino, onde é servida uma comida mais elaborada por apenas US$ 20,00. Gosto de ficar ouvindo música até bem tarde, mas hoje não vai dar porque logo cedo chegaremos a Nápoles e quero apreciar a entrada na baía. Estou no convés contemplando o grande golfo vigiado pelo vulcão Vesúvio, que em uma erupção devastou duas cidades: Herculano e Pompéia, cujas ruínas podemos visitar. Há duzentos anos está calmo, mas não extinto. O cais fica no centro da cidade. Desço e tomo um táxi. O motorista é um daqueles tipos típicos da Itália: sedutor, cheio de papo, que lhe envolve na sua conversa e lhe arranca mais dinheiro. Mas o passeio valeu. Já conhecia Nápoles, mas gostei de rever a Praça do Plebiscito onde se erguem o Palácio Real, com vários nichos na fachada ocupados pelas esculturas de reis; a prefeitura; um museu; a majestosa Basílica de São Francisco de Paula, com sua larga colunata e suas múltiplas cúpulas e outros prédios públicos. Há, também, as estátuas equestres de Carlos III de Bourbon e de Fernando I. O motorista me leva a todos os lugares mais bonitos da cidade; cantarola canções italianas conhecidas, me atrai a uma loja de camafeus belos e acabo fazendo o que ele quer: compro algumas coisas caras, mesmo sabendo que ele está levando uma boa comissão. Visitei, depois, a Porta Capuana, restos de uma fortaleza construída em 1484. Fui às praias e à marina. Passei por antigas ruas estreitas onde vi roupas dependuradas nas janelas para secar: costume bem típico da cidade. A maioria dos passageiros foi conhecer Capri com sua bela Gruta Azul. Como já lá fui várias vezes, preferi andar por Nápoles. O táxi me deixa nas lojas em frente ao cais. Apresso-me em voltar para o navio que sairá dentro de meia hora. Hoje teremos, no teatro, um show com uma famosa cantora. Dizem ter uma bela voz. Passaremos dois dias ?al mare? até Split na Croácia. Para mim vai ser o ponto mais importante da viagem. Não a conheço e todos dizem ser linda. (*) É escritora.