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Ecos do carnaval – 2

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?Resgatar o carnaval de outrora?. ?Em Maceió não há carnaval?. Frases que repercutem, com ares de convicção. Uma, presa a reminiscências, nostálgica, decreta ser o carnaval uma prática cultural desaparecida, de que restam resíduos, fragmentos a serem salvos por alguns abnegados. Malgrado as boas intenções, tal posicionamento tem efeito paradoxal, colocando sobre nossos ombros o peso do saudosismo, porquanto, nos situando em contextos mais amplos, estudiosos atentos, já no século passado, observavam que as manifestações da cultura popular não se constituem mera sobrevivência do passado, fatos isolados, e sim expressões dinâmicas incorporadas à vida da comunidade. A outra frase, fruto do pensamento hegemônico, parece só reconhecer como válidas, detentoras de valor, as expressões culturais nascidas no seio das classes favorecidas, letradas, residentes nas áreas nobres. Tais assertivas camuflam o desconhecimento de que nos bairros periféricos, na alma do povo, manifestações carnavalescas sempre estiveram presentes. Esses posicionamentos podem, ainda, por parte do poder público, justificar iniciativas apressadas que não levam em conta a análise de resultados, que deixam de considerar o grau de efetividade de suas ações. Podem vir a avalizar investimentos que não consideram análises balizadoras do grau de eficiência e de efetividade dos serviços prestados. Podem sedimentar eventos que começam e findam em si mesmos, incapazes de estabelecerem vínculos entre as manifestações contempladas e os contextos em que surgiram. No artigo anterior (GA, 05.03.09), falamos de nosso périplo no carnaval, quando testemunhamos ações culturais fundamentadas em critérios pré-estabelecidos, concebendo os recursos disponibilizados como investimentos. Vimos atores culturais em processo, transformando-se de assistidos em realizadores, de reativos em propositivos, confirmando a convicção de que atos de governo deixam de ser assistencialistas quando mudam estruturas, inclusive mentais; quando levam a comunidade a caminhar com suas próprias pernas. Nas cidades visitadas, vimos brincantes, músicos e passistas ? resultantes de projetos de formação realizados nas escolas públicas e nas comunidades do entorno ? atuando em pólos situados em largos, mercados e praças, fora do circuito do carnaval pensado só para turistas. Vimos o povo em plena alegria, exercendo sua criatividade, sentindo-se partícipe de sua própria história. (*) É professor.

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