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A palavra dos governos

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Em recente aula magna, o constitucionalista brasileiro Luiz Roberto Barroso lembrou o menor discurso de posse realizado na presidência dos Estados Unidos, feito por George Washington, de apenas 130 palavras. Willian Harrison, nono presidente norte-americano, pronunciou o maior discurso de posse contendo 8.000 palavras. O presidente Harrison, em uma noite fria e tempestuosa, fez uma longa oração, com grande esforço. Acometido por uma forte gripe que evoluiu para pneumonia, contraída naquele memorável instante, veio a falecer após trinta dias. Seus adversários políticos consideraram o acontecimento um castigo, por ter falado mais do que o necessário. Existe uma maldição que se volta contra oradores que abusam do tempo previsto. As emoções não dominadas, o eco das vaidades e a falta de poder de síntese levam os governantes a sacrificar a audiência respeitosa de seus governados. A ideia cruel nasce do pressuposto de que a importância do cargo justifica o oceano de palavras. Os excessos e a imprecisão das imagens, antes de serem um condenável fenômeno político, representam uma descortesia aos costumes e uma revelação do nível cultural do tribuno. Os governantes não possuem a obrigação de serem detentores do saber. Mas, a condição de estadistas exige-lhes a prática das atitudes sóbrias e um mínimo de conduta ética. As palavras do governante ganham dimensão social, repercutem na alma do povo, projetam compromissos e assumem riscos de responsabilidade. O poder é solene e impõe um certo nível de protocolo. O desafio do ofício é conciliar a austeridade do cargo com o dever democrático de se aproximar da alma popular. O vocabulário erudito gera isolamento nas sombras das elites, mas a linguagem grotesca, sem inspiração, não convence as expectativas da coletividade. Os grandes líderes políticos da história são expressivos oradores. Na ausência da retórica ou eloquência ? o carisma, a credibilidade, o efeito das palavras simples, adormecidas no coração dos homens. A demagogia perde espaço, por ausência de conteúdo político e excesso de astúcia. Os vencedores não devem guardar palavras. Guiados pelo relógio do tempo, encaram as angústias das estações e lutam pelos direitos de todos. Não acreditam em maldições, preferem a resposta das orações, ditadas em nome da fé e da humildade, valores que sedimentam os caminhos ensinados por Deus. (*) É advogado.

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