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Opinião

Como se fabricam os mundos?

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Uma imagem vale mais do que mil palavras? Atenção! O discurso e a imagem constroem o mundo em que vivemos. Uma vez postos nesse mundo podemos também, com discurso e imagem, reconstruí-lo, refazê-lo. Porém, o direito de influir sobre esse mundo nos é tomado pelos que detêm alguma forma de poder. Venha comigo e espie. Abrindo um livro de Pré-História perceberemos que a imagem do grupo macho, que era maioria e de força, prevaleceu sobre a imagem do grupo fêmea. Então, o macho plantou, pastoreou, poliu e lucrou o despotismo: um salto! A fêmea podou, porejou, pariu e endividou-se com o concubinato: uma queda! Imagem foi o determinante nas relações de poder nas tribos homínidas. As lições de Iluminismo querem nos revelar que o determinante ali não foi a imagem, mas o discurso de ricos pensadores convencendo subalternos do rei e camponeses, a culminar no que já sabemos. E na Guerra Fria, quem arrisca o pitaco? Fora a imagem ou o discurso que vadiou? Você errou se disse discurso, pois fora a imagem (lembra do homem na Lua?). Já é capaz de dizer se é de palavreado ou de encenação o mundo estrelado por crise financeira, Obama e Lula, não é? Ouça: quem fabrica as lábias e ceninhas deste Estado ?democrático? de (não)Direito é quem tem dinheiro. Porque transformando informação em poder, apropria-se do direito coletivo de produzir comunicação, o que vem dificultar o acesso das massas à informação pública, bem pertencente à sociedade. Veja que a passividade da massa se dá por esta não ter direito de influenciar a comunicação, mas ser influenciada; ela passa a ser consumidora de informação, não produtora. Agora escute: a sociedade (incluindo você e eu) precisa buscar o seu próprio discurso e um meio para influir nas coisas que precisa, já que inexiste igualdade de acesso à comunicação, pressuposto da democracia. Um meio que tem se mostrado receptivo é a imprensa, com sua linguagem, investigação e denúncia a favor da comunidade. Nisso há de se ressaltar o trabalho da Gazeta de Alagoas (visto que eu estou discursando nela, ora essa). A imprensa será a grande tribuna privilegiada do povo e seu discurso para tentar desconstruir o mundo de ilusões nos empurrado olho e ouvido adentro. Agora repare: para responder à pergunta do início deste artigo, uma resposta do Millôr Fernandes à mesma questão ? uma imagem vale mais do que mil palavras? Só se me disserem isso sem nenhuma palavra! (*) É estudante de Letras da Ufal.

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