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Opinião

O futuro das crises

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Caso o companheiro seja um dos nossos persistentes três leitores, responda: das duas gravíssimas crises que tanto nos atormentam, qual provavelmente terá desfecho melhor? A crise financeira, que além de profunda e global, se prenuncia cruelmente duradoura; ou a crise moral que avassala o País, principalmente o setor público? Paulinho da Viola em um de seus sambas mais memoráveis repetia que dinheiro na mão é vendaval, é vendaval; o vascaíno sambista continua, como todos nós, abismado com o total descontrole com a grana pública; falta vergonha e compostura. E os renovados exemplos não param de chegar à praça. No Senado, os funcionários conseguem receber mais de 6 milhões de reais de horas extras em pleno mês de janeiro, quando a maioria dos senadores não botou o pé no cerúleo recinto. Pra mostrar que a bandalheira é extensivamente familiar, uma filha de senador viaja de férias para o exterior, leva o celular do pai, pago por nós e arrocha chamadas para os coleguinhas. Lá, tem mais diretor do que senador. Ainda em Brasília, o gorducho-albino reitor Thimoty Lheray, da UNB, que mobiliou o seu apartamento funcional com dinheiro público e luxo de marajá indiano, depois de prolongadas férias, com vencimentos integrais, sorrateiramente volta ao campus. Só quem chiou foi a estudantada, ainda inadaptada à corrupção. Aqui, em terras caetés, a assembleia legislativa (em minúsculo mesmo, conforme Enio Lins) por mais que tenha extrapolado todos os limites, continua causando vexame a cada dia. Se existisse o recorde de vexames públicos no Guiness, ela ganharia sozinha. O corporativismo canibalesco estatal avança, em todos os segmentos, principalmente nos mais altos, como o Conselho Nacional de Justiça, que deveria ser exemplo de probidade e de contenção, investe sôfrego sobre os maltratados cofres públicos. A maré de perdularismo e descompromisso alcança todos sem inflexões, inclusive o Executivo, que não dá bons exemplos: trapaceia com a opinião pública, arrolando o tsunami da crise financeira como mera marola. Todos avançam no dinheiro público como se não tivesse dono. A crise financeira global apresenta uma luz no horizonte: as maiores autoridades mundiais estão empenhadas para resolvê-la. A nossa crise moral, todavia, os que deveriam dar os exemplos, os que poderiam começar o saneamento do lodaçal, nele chafurdam porque dele se beneficiam. Então, companheiro: qual a crise terá um desfecho melhor? (*) É médico e professor da Uncisal.

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