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Novo Iluminismo: entre o sono e a ousadia da raz�o

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É terreno comum o debate que aponta o Iluminismo no século 18 como responsável pelo despertar da ciência. Além de ter capturado a direção e as leis que determinariam a dinâmica e o sentido da realidade. No viés da reflexão kantiana reconhecemos como marco inaugural da modernidade o lema, Sapere Aude, isto é, ousa servir-te de tua razão. O que levaria o sujeito a sair da menoridade, da qual ele é o único culpado. Fundamento ético e gnosiológico para o desenvolvimento dos pilares da modernidade. Mas, a razão é um instrumento para obter um fim e não importa o conteúdo do conhecimento ela precisa alcançar a sua finalidade a qualquer preço. Pois, a mesma ciência que produz medicamentos também potencializa a fabricação de bombas atômicas, no entanto, as duas medidas são puramente racionais. Tal crença no projeto da modernidade deixou de lado a necessidade de estabelecer diante dos vetores da racionalidade uma crítica que pudesse revelar a impossibilidade da neutralidade do conhecimento científico com base no discurso da objetividade e imparcialidade. Assim, o Iluminismo que nos seus primórdios pregava a razão como uma das garantias da emancipação do sujeito moderno, entrou em crise quando os críticos do projeto da modernidade (entre eles Foucault) questionaram o caráter estratégico da ciência, atribuindo à mesma uma relação direta com o saber/poder. É verdade! Há fronteiras no jardim da razão (Chico Science). Após ter demonizado a razão e invertido os imperativos ético e gnosiológico para uma prática discursiva, a pesquisa ou pelo menos, uma boa parte dos pesquisadores deixaram de analisar a realidade como fundamento do saber. Após ter feito esse percurso partindo do Iluminismo ao novo Iluminismo fica fácil constatar quem são os novos execrados com o avanço da ciência no mundo contemporâneo, ou seja, basta compreendermos a segunda natureza desse mesmo espetáculo, desemprego estrutural seguido de uma angustiante desumanização. Assim, Rouanet (2000) adverte, o novo Iluminismo assume como propósito dois vetores. Ele é ao mesmo tempo crítico e racional. Uma crítica que não seja racional ou uma razão que não seja crítica não podem ser consideradas iluministas. É a necessidade de construir uma sociabilidade para além da obscuridade científica do velho Iluminismo, do cinismo político e de uma perversa herança irracionalista. É preciso despertar do sono e duvidar da razão. (*) É licenciado e mestre pela UFPE e professor do Cesmac.

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